Reforma da Previdência

Temer busca interlocução com camadas populares, diz o Valor

Na reta final da articulação para tentar aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer tenta abrir uma interlocução direta com a população de baixa renda, participando de programas populares. Em outra frente, empresários que apoiam as mudanças financiam uma campanha ambiciosa de esclarecimento, com peças criadas pelo publicitário Nizan Guanaes. O governo detecta dois focos principais de oposição às mudanças: as classes de baixa renda e a elite do funcionalismo público, encabeçada pelas associações de juízes e do Ministério Público. Dois segmentos da população que exercem forte influência sobre os deputados. O governo não pretende conquistar o “apoio popular”, mas avalia que precisa atacar a onda de desinformação. “Não houve apoio popular em nenhum país que reformou a Previdência, nem na Alemanha ou Espanha ou Portugal”, lembra um interlocutor de Temer. Faz parte dessa estratégia a participação de Temer, na sexta-feira, no “Programa do Ratinho”, do apresentador Carlos Massa, veiculado pelo SBT um dos programas de grande apelo popular da televisão brasileira nas noites de sexta-feira. Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quis tornar mais conhecido o então précandidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, em 2011, fez com que ele fosse recebido no programa. 

O público do Ratinho, formado principalmente pelas classes C, D e E, tende a não acompanhar o noticiário e acaba se informando pelos programas populares, observa um assessor presidencial. Emissora voltada para essa faixa da população, o SBT já adotou na última semana uma defesa mais ostensiva da reforma, por meio de inserções comerciais mais frequentes ao longo da programação, com anúncios como: “Sabia que, sem a reforma, você pode ficar sem receber a sua aposentadoria?” O apoio se concretizou na esteira de um jantar entre Temer e o apresentador e dono da emissora, Sílvio Santos, há cerca de dez dias, costurado por um amigo em comum: o cabeleireiro José Jacenildo dos Santos, o Jassa, a quem o presidente havia confidenciado as dificuldades para convencer a população da necessidade da reforma. No mês passado, Temer deu nove entrevistas, inclusive para programas populares o triplo das concedidas em março. Em abril, ele falou com o jornalista Kennedy Alencar, do “SBT Brasil”; com o apresentador José Luiz Datena, da rádio Bandnews; com a rádio Jovem Pan; e com o programa “Canal Livre”, da TV Bandeirantes. 

No fim de março, participou do programa de entrevista do jornalista Roberto D’Avila, da Globonews. Em outra frente, nesta semana, começam a ser gravados novos vídeos e spots para rádio, criados por Nizan Guanaes, para a campanha financiada por um grupo de empresários favoráveis à reforma. Também será lançada uma nova campanha digital que visa atingir 3 milhões de pessoas. O carro-chefe da campanha é o site www.apoieareforma.com, com vídeos que podem ser baixados e reproduzidos em correntes de WhatsApp. A campanha é financiada por um grupo que reúne 150 empresários, liderados pelo diretor presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), Luiz Felipe d’Ávila, que buscará artistas e personalidades para estrelar as peças. Ligado ao grupo, o apresentador Luciano Huck não atuará na campanha, mas deverá compartilhar as peças em suas redes sociais. “Precisamos mobilizar a sociedade a favor da reforma”, argumenta d’Avila. 

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