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Sem Alckmin, Temer vai a São Paulo e afaga ‘companheiro’ Doria, diz O Globo

Na ausência do governador Geraldo Alckmin, o presidente Temer aproveitou evento em São Paulo para rasgar elogios ao prefeito João Doria. “Vejo que tenho um parceiro aqui, um companheiro que compreende como ninguém os problemas do país”, disse. Temer pretende atrair a ala jovem do PSDB para aprovar as reformas. Mais tarde, Doria foi alvo de protesto e “ovada” em Salvador.

Com a necessidade de restabelecer a aliança com o PSDB após o apoio de 21 deputados do partido ao prosseguimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente Michel Temer participou ontem de um evento na prefeitura de São Paulo marcado justamente pela ausência de lideranças tucanas. Nessa primeira investida, o presidente sofreu um discreto revés até mesmo de líderes da legenda. Mesmo com a participação anunciada, o governador Geraldo Alckmin não apareceu e cumpriu outras agendas no mesmo horário. Dos 12 deputados paulistas do PSDB, apenas Bruna Furlan, a única do grupo que votou a favor de Temer semana passada, participou.

Sem Alckmin ao seu lado, Temer usou o ato para afagar o prefeito João Doria, que à noite esteve em Salvador, onde foi alvo de protestos e chegou a ser atingido por um ovo, lançado por manifestante. Segundo interlocutores, Temer pretende atrair a ala jovem do PSDB que faz oposição ao governo para votar reformas da agenda econômica.

Eu vejo que tenho um parceiro aqui, um companheiro. Alguém que compreende como ninguém os problemas do país. Porque a visão do João não é apenas municipalista, mas uma visão nacional — disse o presidente.

VÍDEO DO PSDB: AUTOCRÍTICA

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o gesto de aproximação entre Temer e Doria foi direcionado aos deputados do PSDB de São Paulo. O encontro celebrou a cessão de um terreno de 400 mil metros quadrados da União para a prefeitura. No local, situado nos arredores do aeroporto Campo de Marte, será construído um parque.

Este ato representa um fenômeno de conciliação — discursou Temer.

A participação de Alckmin havia sido anunciada pela prefeitura na noite de domingo, quando divulgou a agenda do prefeito João Doria (PSDB). Ao final do evento, em entrevista coletiva, Doria explicou a ausência do governador:

O governador entendeu, até por delicadeza, ele é tão grandioso na sua alma, que era o momento da prefeitura de São Paulo. Ontem à noite ao falar comigo, ele disse: o palco é seu, desfrute e apresente as suas propostas.

Na votação sobre a denúncia na semana passada, parlamentares ligados a Alckmin fizeram coro contra Temer. No dia em que a acusação da PGR foi apreciada na Câmara, Alckmin voltou a dizer que “se dependesse dele, o PSDB não teria mais cargos no governo”. Já Doria pensa diferente: — O PSDB tem quatro ministros bons, que atuam no governo com muita destreza, são prestigiados, e, a meu ver, podem perfeitamente continuar o trabalho onde estão. O PSDB é um partido composto por boas cabeças, pessoas que emitem as suas opiniões, nem sempre coincidentes. Isso faz parte de um partido que advoga a democracia.

No início da noite, o PSDB divulgou um vídeo no qual admite que errou — sem apontar o erro — e diz que precisa fazer autocrítica, embora também aponte ações que qualifica como acertos. O vídeo, idealizado pelo presidente interino Tasso Jereissati, que chama para o programa de TV, foi antecipado pelo blog Poder em Jogo, do GLOBO.

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