Lava Jato

Nova delação na Lava-Jato é iminente, diz o Valor

As delações de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula, e de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados pelo PMDB, estariam fracas do ponto de vista da entrega de novos elementos de prova e a continuar nessa situação eles seriam descartados como colaboradores na Operação Lava-Jato. No entanto, um terceiro delator estaria trazendo não apenas relatos relevantes às autoridades, mas também provas e fortes indícios de crimes envolvendo políticos e empresários.

Há a possibilidade de que se chegue a um termo de colaboração com ele antes do fim do mandato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que termina em 17 de setembro, de acordo com o que confidenciou um interlocutor do procurador.

Um nome possível é o do operador Lúcio Bolonha Funaro. Em negociação para um acordo de delação premiada, Funaro vai ficar até o dia 28 na carceragem da Polícia Federal em Brasília. A defesa de Funaro obteve na Justiça o segundo pedido de extensão do prazo em que ele permanecerá nas dependências da PF.

O local é considerado mais adequado para a troca de informações entre advogado e cliente sobre os anexos da delação. Funaro está preso há um ano na Penitenciária da Papuda, em Brasília. A defesa havia solicitado mais 30 dias de permanência na sede da PF, mas o juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, concedeu um prazo menor, até o dia 28. A justificativa oficial para adiar o retorno de Funaro à Papuda é a “necessidade de se colher novos esclarecimentos a respeito de fatos decorrentes das operações conduzidas nas operações Sepsis e Cui Bono?”.

Palocci e Cunha teriam contado algumas histórias sobre irregularidades e pagamento de propinas. Porém, parte do que eles relataram já é de conhecimento das autoridades. Outra parcela envolve fatos para os quais eles possuiriam apenas a narrativa sem a entrega de provas adicionais de crimes. Ou eles avançam com mais provas ou não teriam o direito a figurar como colaboradores no futuro.

A dificuldade das autoridades de investigação com Funaro é que ele tem o perfil de um jogador. O operador foi o único delator do escândalo do mensalão. Na época, ele confessou apenas parte dos desvios que teria participado no esquema de pagamento de verbas a deputados para a compra de apoio político. Segundo membros do Ministério Público, foi preciso ameaçar Funaro de que a delação não seria feita para que ele confessasse mais crimes. Num dia em que estava marcada a assinatura do termo, um procurador disse que rasgaria os papéis e que ele viraria réu e terminaria condenado e preso. Funaro, então, percebeu que a melhor saída para ele seria a de colaborar. Ele o fez e se livrou da denúncia que envolveu 40 réus dos quais 25 foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2012.

Ontem, Janot afirmou que “o orçamento para a Lava-Jato não foi reduzido, não. Isso não é verdade”, disse após participar de um debate no Atlantic Council, um dos mais renomados “thinks tanks” de Washington. “Está garantidíssimo.” Segundo ele, as verbas para a operação foram prioritárias durante a sua gestão, que vai terminar em 17 de setembro. Ele afirmou não saber como a subprocuradora-geral Raquel Dodge, que assumirá o comando do Ministério Público Federal em seguida vai lidar com a questão.

“É prioridade da Procuradoria na minha gestão. Se vai ser na dela, eu não sei, mas na minha está garantido o orçamento, sim.” Janot disse que a expectativa de orçamento para a operação era de R$ 1,65 milhão, sem contar a aplicação de índices inflacionários. Raquel alegou que foi apresentada uma proposta de apenas R$ 522,7 mil e questionou publicamente a razão. A proposta será examinada no Conselho do Ministério Público na próxima semana e Raquel participará da votação.

O procurador-geral assistente dos Estados Unidos Kenneth Blanco afirmou que a cooperação com o Ministério Público Federal brasileiro levou a grandes resultados no combate à corrupção. Segundo ele, a parceria deverá continuar nas investigações de casos de corrupção por empresas que têm ações ou negócios nos Estados Unidos. “É difícil imaginar uma colaboração melhor do que a que tivemos entre os Estados Unidos e o Brasil”, disse Blanco ao lado de Rodrigo Janot.

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