Congresso

Deputados justificam ausência em votação com férias e perda de voo, diz a Folha

O deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) não deu as caras no plenário durante a votação da denúncia de Temer nesta quarta (2), mas estava sorridente na Câmara no dia seguinte.

“Não consegui chegar a tempo porque só tinha um voo de Fortaleza para cá pela manhã, às 5h10, e perdi”, justificou. Apesar de a votação ter começado apenas às 18h20, o parlamentar afirmou que não conseguiu outro voo para a capital. “Era volta de férias. Fica tudo lotado.”

A data da votação da denúncia foi marcada em 13 de julho, e o recesso parlamentar terminou na terça (1º). Apesar disso, 20 parlamentares não compareceram quando foram chamados. Destes, cinco haviam declarado voto favorável à denúncia anteriormente. Os demais não quiseram se pronunciar e um, Giovani Cherini (PR-RS), havia informado que não votaria por estar tratando um câncer.

Ausentes, os parlamentares ajudaram na vitória do governo, já que era a oposição que precisava conseguir 342 votos pela continuidade da denúncia. Foram 263 votos a favor de Temer e 227 contra.

Na ala jovem do PSDB, que pede o desembarque do governo, dois não votaram: Pedro Vilela (AL) e Shéridan (RR).

A deputada usou as redes sociais para justificar sua falta. Disse que houve um imprevisto em seu voo de volta do recesso. “Infelizmente acontece, não é?” Vilela disse que estava em Brasília, mas teve “um imprevisto pessoal” e não conseguiu ir ao plenário na hora da votação.

Nos bastidores, as explicações variam. No caso de Vilela, a Folha apurou que o parlamentar foi ao plenário, mas desistiu de votar ao ver que sua posição estava derrotada. Gomes de Matos, o tucano que perdeu o voo de Fortaleza, teria sofrido pressão de ambos os lados. Para evitar desgastes, ausentou-se.

Alguns parlamentares disseram não ter votado deliberadamente. Ex-ministro de Dilma Rousseff, Marcelo Castro (PMDB-PI) afirmou que votar era interesse da oposição –embora aliados do presidente tenham passado a maior parte do dia tentando aumentar a margem de votos.

Reinhold Stephanes (PSD-PR) e Marcos Reategui (PSD-AP) disseram ter tentado votar a favor do governo, mas que chegaram ao plenário após chamada de seus nomes.

Luciano Ducci (PSB-PR) disse que votaria pela denúncia, mas seu voo internacional atrasou por causa de uma pane. Chegou ao plenário após a votação do seu Estado.

Vicentinho Jr. (PR-TO) afirmou que estava com “férias programadas” e retornou nesta quinta (3), três dias após o fim do recesso.

Quatro deputados se ausentaram por mortes na família: Eduardo Barbosa (PSDB-MG); Rôney Nemer (PP-DF) e Alexandre Serfiotis (PMDB-RJ).

Delegado Waldir (PRB-GO), que chamou Temer de “bandido” após ser trocado por seu partido na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), informou que teve “perda familiar” e que não compareceu por ordens médicas.

Já a assessoria de Dejorge Patrício (PRB-RJ) informou que ele se submeteu a cirurgia na boca na segunda (1º).

A Folha não conseguiu contato com os demais ausentes. Entre eles, Osmar Serraglio (PMDB-PR), ex-ministro da Justiça de Temer.

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