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‘Podemos atrair eleitor que vê opção no Bolsonaro’, diz pré-candidato João Amoêdo é o título de matéria na Folha

Fundador do Partido Novo, o banqueiro João Amoêdo, 55, deve ser oficializado neste sábado (16) pré-candidato à Presidência em 2018.

O partido promove convenção em São Paulo, com palestras de Gustavo Franco –ex-presidente do Banco Central de FHC, que trocou o PSDB pelo Novo– e do técnico de vôlei Bernardinho, que deve disputar o governo do Rio.

A prioridade será conquistar espaço na Câmara: a meta é 35 cadeiras, para as quais lançará 300 candidatos –alguns, egressos de movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL.
Amoêdo quer chegar a 5% das intenções de voto até o início de 2018, para participar dos debates na TV. Na última pesquisa Datafolha, marcou 1%.

O Novo foi fundado em 2015 e, no ano seguinte, elegeu cinco vereadores. A sigla rejeita o fundo partidário, e cada membro contribui com mensalidade de R$ 29.

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Folha – A convenção deve se oficializar sua pré-candidatura. Lançará mais nomes?

João Amoêdo – Devemos anunciar nos próximos 30 dias pré-candidatos a governador. Mas não está definido, especialmente o Bernardinho. Ele está com disposição, é uma questão de a família aprovar. Está avançado em Minas, com Romeu Zema; Rio Grande do Sul, com Mateus Bandeira; no Distrito Federal, Alexandre Guerra. E talvez São Paulo.

Houve conversas no partido com Doria e Luciano Huck sobre candidaturas?

Não. Tive encontro com o Doria antes das prévias do PSDB, em 2016, para apresentar o Novo. Com Huck, tivemos contatos no ano passado e neste ano, para divulgar o partido e trocar uma ideia sobre política.

Acho que ele já vinha com algum pensamento de, eventualmente, entrar na política. Mas nunca houve convite. Ele perguntou: “Como estão os planos? Vai ser candidato?”. Falei: “Estamos estudando”. Foi a última conversa.

Perguntou se ele pensa em se candidatar?

Perguntei. [Respondeu:] “Tenho pensado, mas também não sei”. Acho que ele só sairá se achar que tem chance de ser eleito, se estiver bem nas pesquisas. Acho que deve esperar alguma definição em relação ao Lula.

Quais serão suas propostas?

Há reformas necessárias: tributária, uma reforma política decente, da Previdência. É importante eliminar benefícios para minorias, como o dinheiro público para partidos e contribuição sindical obrigatória, que já mudaram. E a Previdência elevada para o funcionalismo público, recursos do BNDES para grandes empresas, barreiras protecionistas.

Vemos o Bolsa Família com bons olhos e defendemos alocar mais recursos para o ensino básico. O Novo defende a privatização de todas as empresas públicas. O Estado deve se concentrar no essencial: saúde, educação e segurança.

Bolsonaro tenta construir um discurso econômico liberal. O que o sr. pensa disso?

Não sei até que ponto é convicção ou só discurso. Sou um pouco cético. Ele passou 26 anos no Legislativo e não fez nenhuma proposta de lei, que eu saiba, nessa direção.

O sr. acha que poderá atrair o eleitor do Bolsonaro?

Não fizemos pesquisas, mas acho que sim. O tempo joga a nosso favor. Somos pouco conhecidos, mas a aceitação tem sido razoável. Acho que pode acontecer de a gente atrair eleitores que veem no Bolsonaro uma opção. Acho até natural que aconteça, especialmente esses que creem em ideias mais liberais.

O partido rejeita recursos públicos. O sr. financiará a sua própria campanha?

Sim, mas não o principal. Se tiver um único financiador, é porque a ideia não colou.

O que pensa do discurso de negação da política? O Doria dizia, em sua campanha: “Não sou político, sou gestor”.

Péssimo. Entendo que o Doria queria colocar um selo na política antiga e dizer “tô fazendo política nova”.

O que pensa de ações como as de Doria, de devolver o salário e não usar carros oficiais?

No caso do Novo, cortamos assessores no Legislativo. O corte de privilégios é saudável, mas não pode ser só marketing. Mais importante que ser um nome novo é ter posturas novas. No caso do Doria, ele foi com muita sede à ideia de estar quase em uma campanha [à Presidência] antecipada.

Acho que ficou claro para a população que ele estava, apesar do discurso inicial, fazendo um roteiro do político tradicional, colocando a sua agenda como prioritária.

Foi um erro?

Acho que foi um erro e ele entendeu que foi um erro.

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