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Temer quer reduzir contatos individuais com os deputados, diz a Folha

O presidente Michel Temer vai centralizar sua relação com a base aliada em líderes e dirigentes partidários, reduzindo negociações individuais que marcaram a articulação para barrar as denúncias contra ele na Câmara.

Temer pretende retomar uma agenda periódica de reuniões com lideranças no Congresso e presidentes de legendas, em um esforço para reorganizar a coalizão que sustenta seu governo.

Na avaliação do presidente, as negociações feitas “no varejo” com os parlamentares nos últimos meses provocaram a pulverização das relações do Palácio do Planalto com a base aliada e estimularam a indisciplina entre deputados dessas legendas.

Para o governo, a dispersão coloca em risco votações de propostas consideradas prioritárias, como as medidas provisórias do ajuste fiscal e a reforma da Previdência.

O Planalto precisa reaglutinar o apoio dos partidos da aliança de Temer para fazer com que a agenda econômica avance e o presidente ganhe algum fôlego para chegar ao fim de seu mandato.

Temer quer fortalecer, a partir da próxima semana, uma relação “institucional” com os partidos, nas palavras de um assessor do Planalto.

A ideia é que as negociações por cargos e emendas parlamentares em troca de apoio nas votações do Congresso sejam feitas diretamente com as cúpulas de cada partido. O governo acredita que, dessa forma, os líderes ganharão mais força para cobrar unidade na atuação de suas bancadas.

Para Temer, a relação com a base aliada ficou desgastada porque o Planalto foi obrigado a atender a dezenas de demandas individuais, que esbarravam em divisões internas das siglas.

Ao concentrar a atuação nos dirigentes e líderes, Temer quer limitar as dissidências que foram determinantes para as vitórias magras que barraram as denúncias contra ele na Câmara.

Na semana passada, o presidente perdeu o apoio de parte expressiva do núcleo de sua base aliada para derrotar, com apenas 251 votos, a denúncia da Procuradoria-Geral da República por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Às vésperas da votação, Temer ordenou que seus ministros destravassem indicações políticas que estavam represadas devido a pendências na análise dos nomes apresentados pelos deputados.

infidelidade na base se deu apesar dos esforços do Planalto para atender aos pleitos individuais dos deputados que dão sustentação ao governo. Em um único dia, o presidente chegou a receber mais de 40 parlamentares em seu gabinete.

O PSD, por exemplo, que comanda os ministérios da Fazenda e das Comunicações, só entregou 51% dos votos de sua bancada. No PR e no DEM, que também ocupam espaço na Esplanada, essas taxas foram de 67%.

Desde o início do ano, a base aliada de Temer perdeu cerca de um terço de seu tamanho. Em dezembro de 2016, o governo conseguiu aprovar o teto de gastos públicos com o apoio de 367 dos 513 deputados —116 a mais do que na última quarta (25).

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