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Enfraquecido, Aécio pode ser candidato à Câmara em 2018, diz O Globo

A pouco menos de um ano para a eleição de 2018, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) enfrenta seu pior momento político. O sonho de disputar a Presidência da República foi enterrado, mas ele ainda não jogou a toalha em relação à reeleição ao Senado, embora alguns de seus principais aliados reconheçam que a disputa por uma das 513 vagas na Câmara seja seu caminho mais provável.

Um ano atrás, era candidato incontestável à Presidência, com a marca de 48 milhões de votos obtidos em 2014 na disputa com a ex-presidente Dilma Rousseff. Agora, Aécio sai de uma posição de líder de grupo político dominante em Minas — e em boa parte do país — para se dedicar à mais dura disputa de sua vida: fazer a defesa sobre as denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF) e garantir um mandato, provavelmente de deputado federal.

Na quarta-feira passada, quando retornou ao Senado depois de 22 dias afastado por medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF, foi recepcionado no gabinete por uma comissão de prefeitos do norte de Minas. Seus aliados mineiros dizem que, embora Aécio nacionalmente esteja numa situação muito ruim, a lógica da política local é diferente, mesmo porque o governador Fernando Pimentel (PT) e seu grupo político também enfrentam desgaste acumulado pelas dificuldades administrativas e pela crise fiscal do estado.

Minas terá duas vagas para o Senado em 2018. Claro que o Aécio prefere ser candidato ao Senado, mas vai ter condições de disputar a reeleição? Ninguém sabe. Está esperando passar esse semestre para ver se o terremoto acalma. Mas também pode piorar. Hoje ele tem que se dedicar à defesa — afirma um dos políticos mineiros ligados ao senador tucano.

O PSDB e o grupo político de Aécio ainda são a principal força de oposição ao

Em baixa.

Aécio, agora de volta ao Senado também desgastado governador Fernando Pimentel, e há uma operação para convencer o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) a se candidatar ao governo e, assim, ajudar na candidatura do seu mentor político ao Congresso.

ESTRATÉGIA COM PREFEITOS

A estratégia é voltar a Minas assim que a onda de inquéritos por corrupção no Supremo Tribunal Federal (STF) permitir para discutir a implementação de ações políticas no interior com prefeitos eleitos em 2016. Da mesma forma, ele pretende se dedicar a defender o legado das duas administrações tucanas no estado.

Com 48 milhões de votos, o Aécio encarnava a esperança, mas perdeu para as mentiras da campanha de Dilma. Ele ia muito bem, era opção inquestionável para 2018 e sei que para ele a queda é muito grande. O fato é que aconteceu esse episódio do Joesley. Não vejo crime, não houve nada em troca, mas não deveria ter conversa com esse tipo de gente, não foi o melhor exemplo a ser dado por um grande líder, e o povo não perdoa. Houve uma colisão com a opinião pública que está sedenta de Justiça — avalia o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, que, na semana passada, lançou seu nome dentro do PSDB como um pré-candidato à Presidência da República.

Mas nem em Minas a vida de Aécio será fácil. O PT domina a máquina estadual com o governador Fernando Pimentel. Ele vai disputar a reeleição com uma aliança forte: a maioria do PMDB, PCdoB, PV, PDT e parte do PR. O PSDB mantém aliança com o Democratas, PPS, PTB e talvez com o PSD. Ainda não há um nome forte para o governo.

Com resistência entre correntes do partido ligadas ao presidente interino Tasso Jereissati (CE), Aécio, entretanto, não jogou a toalha na disputa interna no partido. Ele se agarra ao apoio do presidente Michel Temer, dos ministros tucanos e de correntes ligadas ao grupo liderado pelo candidato à sua sucessão no PSDB em dezembro, o governador de Goiás, Marconi Perillo. Também se fixa no apoio do prefeito de São Paulo, João Doria, que já saiu em sua defesa.

Para a disputa ao Senado, na vaga de Aécio, o PSDB também ainda não tem um nome forte que impulsione votos em uma eventual candidatura à Câmara dos Deputados do tucano. Em levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, Dilma aparece em primeiro lugar nas intenções de voto para o Senado em Minas. Em segundo, o ex-procuradorgeral Rodrigo Janot e, em terceiro, Aécio. O PT local, no entanto, resiste em apoiar a candidatura de Dilma e deverá dar a preferência ao deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

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