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Apesar de favoritismo, discurso contra Temer domina debate sobre 2ª denúncia, diz a Folha

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve votar nesta quarta-feira (18) a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Apesar de os governistas cantarem vitória, o discurso contra o peemedebista predominou no inicio do debate sobre o caso.

Após cerca de 12 horas de sessão, 44 deputados falaram nesta terça-feira (17): 32 contra o presidente e 12 a favor. O placar, porém, não ilustra de forma fidedigna como deve ser o resultado da votação na comissão, já que os governistas evitavam se pronunciar com o objetivo de encurtar a tramitação do caso.

Outros deputados devem discursar nesta quarta. Após isso, irá a voto o relatório do governista Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), favorável ao arquivamento do caso.

A CCJ é o primeiro passo da tramitação da denúncia em que Temer é acusado de integrar uma organização criminosa e obstruir as investigações. A comissão tem 66 integrantes titulares. A expectativa do Palácio do Planalto é repetir o placar da votação da primeira denúncia (por corrupção passiva) –41 a 24 a favor do governo.

A palavra final cabe ao plenário, porém. Essa votação deve ocorrer na semana que vem (na primeira denúncia, o placar foi de 263 votos a 227 para barrar o caso).

Para que o Supremo Tribunal Federal seja autorizado a analisar a denúncia, é preciso o apoio de pelo menos 342 dos 513 deputados.

TERRORISMO

Deputados da oposição madrugaram na comissão, cuja lista de oradores é definida pela ordem de chegada. Alessandro Molon (Rede-RJ) entrou na sala pouco depois das 6h e foi o primeiro a assinar a lista.

A tônica dos discursos foi de que Temer usa a máquina federal para comprar votos dos parlamentares com medidas tomadas pelo governo -entre elas o esvaziamento das regras de combate ao trabalho escravo, antiga reivindicação da numerosa bancada ruralista.

O PSDB foi acusado de tentar promover um toma lá, dá cá: salvar Temer em troca da manutenção, no Senado, do mandato de Aécio Neves (PSDB-MG).

“Escolheu-se um deputado [Andrada] comprometido em salvar a pele de um presidente com pê minúsculo, todo envolvido em falcatruas”, discursou Luiza Erundina (PSOL-SP).

Uma semana depois de ter a condenação à prisão confirmada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi um dos que saíram em defesa de Temer. Disse que a denúncia contra o peemedebista é recheada de acusações “falsas” e “vazias”, que representam um ato de “terrorismo” contra a economia nacional.

“O que Rodrigo Janot fez em termos de terrorismo com os investimentos nacionais e internacionais para o país não tem retorno. Terrorismo sem base legal”, disse o deputado, em referência ao ex-procurador-geral da República, que assina a denúncia.

Ao defender Temer, dizendo que o peemedebista foi eleito por três vezes presidente da Câmara, “prova de que os companheiros reconheceram nele valores que o dignificam”, o clima esquentou na sessão.

O oposicionista Ivan Valente (PSOL-SP) cortou a fala de Maluf, afirmando que “Eduardo Cunha também foi eleito presidente da Câmara”. Hoje deputado cassado, Cunha está preso em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.

Maluf foi defendido aos gritos pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que pediu respeito ao orador.

Ao retomar a palavra, Maluf usou um de seus bordões para dizer que não tem notícia de que Valente, professor engenheiro mecânico de formação, tenha feito alguma obra em São Paulo. “E ele não anda um quilômetro em São Paulo sem pisar em uma obra de Paulo Maluf.”

Ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Maluf foi condenado condenado a 7 anos e 9 meses de prisão por crimes de lavagem de dinheiro envolvendo desvios de dinheiro em obras em São Paulo. Ainda cabe um recurso final.

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