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Irmão de Geddel, Lúcio Vieira Lima tem bens apreendidos é o título de matéria no Globo

A Polícia Federal fez ontem buscas em endereços ligados ao deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e ao seu assessor Job Ribeiro Brandão, que teve digitais encontradas no imóvel em Salvador onde eram guardados R$ 51 milhões ligados ao ex-ministro da Secretaria de Governo e irmão do peemedebista, Geddel Vieira Lima, que está preso. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, dois em Brasília — no apartamento funcional do parlamentar e em seu gabinete na Câmara dos Deputados — e dois em Salvador — na casa de Lúcio, vizinha à de Geddel, e na de Brandão.

Os agentes chegaram a se encontrar com Lúcio na capital baiana, mas, como ele não foi alvo de condução coercitiva e nem de pedido de prisão, não foi levado para prestar depoimento. A busca no gabinete foi a mais demorada. Durante a manhã, o acesso ao corredor que leva ao local foi interditado pelos investigadores por algumas horas. Entre os materiais levados pelos policiais nos quatro endereços estão documentos, telefones e computadores.

Foi a primeira ação que atinge um parlamentar na gestão da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. As buscas têm como objetivo apurar a ligação de Lúcio Vieira Lima com o dinheiro encontrado no “bunker” atribuído a Geddel. Na decisão que autoriza as buscas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin destacou as “evidências” citadas pela PGR que ligam Lúcio ao dinheiro. Para os investigadores, o parlamentar está vinculado pelo menos à ocultação dos R$ 51 milhões.

Os procuradores se basearam em quatro indícios para pedir as buscas. Em primeiro lugar, as digitais do secretário parlamentar lotado no gabinete de Lúcio achadas no apartamento onde estava o dinheiro. Brandão é vinculado à Câmara desde 2010 e tem salário de R$ 14,3 mil, segundo informações do Portal de Transparência.

Outras evidências apontadas pela Procuradoria são os depoimentos concedidos por Sílvio Silveira, dono do apartamento e sócio da construtora que fez o prédio, e de Patrícia Santos Queiros, administradora do condomínio onde fica o imóvel. Eles prestaram esclarecimentos à Polícia Federal em 5 de setembro.

Que, considerando a amizade, o declarante concordou prontamente (com o pedido de emprestar o apartamento a Lúcio Vieira Lima), chegando na unidade 202 juntamente com Lúcio para lhe mostrar o apartamento e lhe entregar a chave. Que, na ocasião, Lúcio recebeu a chave, mas não trazia consigo nenhum pertence”, afirmou Silveira aos policiais.

O empresário contou ainda que, como a unidade 202 foi vendida ao longo de 2016, ofereceu o imóvel vizinho, de número 201, que “foi de fato recebido por Lúcio”. Afirmou que não conhece Geddel, mas que é amigo do irmão dele “há mais ou menos dez anos” e que acreditou que o local seria usado para guardar pertences do pai deles, que havia falecido.

SEM COBRANÇA DE ALUGUEL

Patrícia Santos Queiros, administradora do condomínio, corroborou a versão de Silveira à PF e disse já ter presenciado o empresário pedindo favores aos irmãos: “Sílvio tem alguma relação com os irmãos não sabendo se apenas profissional ou de amizade, que já viu Sílvio ligando aos irmãos para, por exemplo, pedir que vias sejam pavimentadas em acessos a empreendimentos que as empresas do grupo do qual Sílvio faz parte fizeram a construção.”

Patrícia relatou que, por determinação de Silveira, deixou a chave da unidade 202 na portaria e que ela foi usada por pessoas que “deixaram algumas malas e caixas” no local. Também contou que, posteriormente, a unidade foi vendida e que, também por ordem do empresário, entregou a chave do apartamento 201, “sendo que, mais uma vez, os interessados fizeram a transferência dos bens que estavam no 202 para o 201”. Pelo que sabe, afirma, não havia “qualquer tipo de cobrança de aluguel pelo empréstimo do imóvel”, disse a administradora no depoimento.

No pedido das buscas, a PGR também destacou uma fatura encontrada no “bunker” em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, empregada doméstica de Lúcio Vieira Lima, como outro indício que o vincula à ocultação do dinheiro.

A ação de ontem tem relação com o “bunker” descoberto em julho pelos policiais na maior apreensão de dinheiro em espécie já feita pela Polícia Federal. No local foram identificadas as digitais de Geddel e do ex-diretorgeral da Defesa Civil Gustavo Ferraz. Em nota, a defesa de Lúcio Vieira Lima afirmou que a operação foi “desnecessária” e que o deputado só se manifestará quando tiver acesso integral aos autos. O criminalista Gamil Fopel afirmou que “tal direito, até o presente momento, está sendo negado aos advogados”. O advogado disse ainda que o parlamentar apresentou “sucessivas petições” para prestar esclarecimentos e entregar documentos.

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