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Temer organiza balcão de pedidos no Planalto é o título de matéria no Globo

De olho nos votos para tentar sepultar a denúncia contra ele por obstrução de Justiça e organização criminosa, o presidente Temer recebeu ontem mais de 50 deputados, de quem anotou demandas variadas, em ao menos 12 horas de audiências. Ouviu pedidos para continuar obras, de criação de universidades, de projeto de lei para facilitar a participação de times em campeonatos e a volta do imposto sindical. O Planalto também manobra para trocar nomes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e beneficiar Temer. Pelo Twitter, o presidente classificou a segunda denúncia contra ele de “inepta e sem sentido”. 

Na expectativa de barrar o mais rapidamente possível, na Câmara, a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer recebeu ontem mais de 50 deputados no Palácio do Planalto e prometeu ajudar nas demandas regionais dos políticos que estiveram em seu gabinete. Temer foi denunciado por organização criminosa e obstrução à Justiça.

Os assuntos foram os mais diversos: de imposto sindical à burocracia que atrapalha a inscrição de times de futebol em campeonatos; da criação de universidades no interior a pedidos de recursos para obras de creches na Bahia. A todos os deputados, Temer seguia o mesmo modus operandi: anotava as demandas e prometia ajudar.

O deputado Roberto Britto (PP-BA), que esteve duas vezes com Temer ontem, contou, animado, que o presidente respondeu positivamente a um projeto de lei para facilitar a vida de times de futebol. A ideia é que não seja mais exigido dos clubes a Certidão Negativa de Débito (CDB). Se o projeto vingar, clubes não serão mais impedidos de disputar campeonatos caso não tenham o documento. À tarde, Britto voltou ao Palácio, dessa vez pedindo recursos para terminar a construção de cerca de 130 creches na Bahia, que, segundo ele, viraram elefantes brancos.

Para Britto, que negou ter conversado sobre a denúncia, o momento é “oportuno” para despejar no governo as demandas regionais. Ele diz não ter decidido como votará no plenário.

A gente aproveita para colocar os problemas que temos no estado. O momento é bom para isso — disse o deputado ao GLOBO, negando conversa sobre a denúncia. — Não tocamos nesse assunto de denúncia, não perguntei e ele também não falou. Até porque ainda não tenho formação do meu voto, tenho que esperar o parecer — completou.

Outro encontro foi com o deputado Paulinho da Força (SD-SP) e integrantes da Força Sindical. Na reunião, Temer também se comprometeu a resolver uma alternativa ao fim imposto sindical, a chamada contribuição assistencial. A proposta ainda está em discussão, mas os participantes afirmaram que Temer mostrou boa vontade em ajudar no pleito da entidade em cerca de duas semanas.

O deputado Paes Landim (PTB-PI) também esteve no Palácio, mas não com Temer diretamente. Ele se reuniu com o chefe de gabinete da Secretaria de Governo, Carlos Henrique Sobral, responsável por cuidar dos cargos e nomeações. Landim disse que veio apenas cobrar a criação da universidade do Delta do Parnaíba, no Piauí. Seguindo o mantra repetido a todos que foram recebidos, o deputado afirmou que Temer já havia “prometido recursos” para ajudar a tirar o projeto do papel. Temer também recebeu integrantes da bancada ruralista, que, sozinha, tem votos suficientes para barrar a denúncia no plenário da Câmara. A pauta da reunião, segundo parlamentares, foi a discussão da possibilidade de plantio em terras indígenas.

COMANDO DO DEPEN EM DISPUTA

Foram ao menos 12 horas de audiências de Temer com deputados. A agenda começou às 10h e passou das 22h de ontem. Somando as visitas de deputados que não constavam da agenda oficial, o número de parlamentares que estiveram com o presidente pode ter chegado a 70. Muitos deles estiveram no gabinete mais de uma vez.

Em outra frente, no cardápio de agrados em busca de votos, está a indicação para o posto de diretorgeral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. O órgão administra o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que acumula cifras bilionárias ao receber percentuais de loterias e outras fontes. Há planos para a construção de mais presídios federais.

O atual diretor do Depen, Marco Antonio Severo, formalizou o pedido de demissão na primeira quinzena de setembro. Desde então, o Palácio do Planalto capitaneou as negociações para a indicação do novo nome, sem a participação do ministro da Justiça, Torquato Jardim, como seria o protocolo mais comum para um posto técnico que cuida de área sensível como o sistema penitenciário federal. A exoneração de Severo está prevista para ser publicada nesta semana.

Parlamentares do PMDB, como o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), vêm pressionando pelo cargo. Um dos cotados é Luiz Antônio Pôssas de Carvalho, advogado ligado ao PMDB de Mato Grosso e indicado de Bezerra. Ele teve duas passagens como diretor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no ano passado. Em ambas as ocasiões, pesou o apoio do padrinho ao ocupante do Planalto.

A primeira passagem pelo Incra ocorreu no período de negociação por apoio contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff . Como o deputado Carlos Bezerra votou pelo afastamento da petista, Carvalho perdeu o cargo. Mas, com a ascensão de Temer, o advogado voltou ao Incra, onde ficou até novembro.

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