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Alckmin duvida que passe denúncia contra Temer, diz a Folha

Em plena tramitação da segunda denúncia na Câmara, o presidente Michel Temer recebeu ontem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em audiência no Palácio do Planalto. Alckmin afirmou que não vai interferir nos votos da bancada em relação à nova acusação da Procuradoria-Geral da República na Câmara. Na primeira votação, contudo, a postura oposicionista do governador influenciou votos contrários a Temer na ala dissidente dos “cabeças-pretas”.

“A mesma postura que tive na primeira votação eu terei agora, isso é um assunto dos deputados”, disse Alckmin, após se reunir com Temer e com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB. “Eu acho pouco provável que prospere [a denúncia], porque já na primeira não prosperou”, acrescentou. Ele confirmou ter externado essa posição ao próprio presidente.

Até o início de agosto, quando a primeira denúncia foi apreciada pelo plenário da Câmara, Alckmin defendia, publicamente, o fim da aliança com o governo Temer após a votação das reformas trabalhista e previdenciária. “Depois disso [da votação das reformas], eu vejo que não tem nenhuma razão para PSDB participar do governo”, declarou Alckmin em 9 de julho.

Mas essa posição arrefeceu após a vitória do pemedebista e o posicionamento do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que, desde o fim de agosto, cessou as declarações em defesa do desembarque do governo.

É nesse cenário de aparente trégua do PSDB paulista que a expectativa do Planalto é de que Alckmin e o líder da bancada, Ricardo Trípoli (SP), ligado ao governador, não reiterem a defesa do voto contrário a Temer, contribuindo para que a dissidência tucana seja menor.

Na apreciação da primeira denúncia, 21 deputados do PSDB votaram favoravelmente ao encaminhamento da petição ao Supremo Tribunal Federal. Um número menor que os apoiadores do presidente: 22 votos declarados contra a denúncia e mais quatro ausências, totalizando 26 votos pró-Temer.

“Nosso grupo teve cinco votos a mais que o de Alckmin”, alerta um tucano da ala ligada ao presidente licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Entre auxiliares de Temer, a avaliação unânime era de que o time liderado por Aécio e pelo ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, nocauteara o grupo de Alckmin.

Um deputado tucano ligado a Aécio acrescenta que outros fatores devem levar a uma menor dissidência no PSDB. Primeiro, porque a nova denúncia chegou fragilizada à Câmara, após a prisão dos principais delatores – os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, – e desqualificação das acusações.

Outro argumento é de que os governistas apostam em um relatório contrário ao prosseguimento da denúncia, de autoria do relator Bonifácio de Andrada, outro tucano ligado a Aécio.

A alegação é de que na primeira votação, a existência de dois pareceres dividiu os deputado. Desta vez, um único relatório contrário à peça acusatória deverá fortalecer a posição de Temer, facilitando a posição dos deputados inclinados a votar a favor do presidente.

Ainda ontem, Alckmin relativizou os resultados da pesquisa Datafolha divulgada domingo. Para o governador, o placar apontado resulta de um “recall” de candidatos das últimas eleições. Ele acrescentou que é favorável a consultas prévias no PSDB para escolha do presidenciável tucano.

“A eleição de 2018 vai começar depois que se definirem os candidatos e depois que os argumentos da eleição forem colocados, as definições de voto ocorrem 30 dias antes das eleições”, afirmou.

No encontro com Temer, Alckmin reivindicou a liberação dos recursos federais para as obras do Rodoanel, queixando-se de que, até outubro, apenas R$ 87 milhões foram liberados ante R$ 1 bilhão investidos pelo governo estadual. Ele também apresentou formalmente a proposta de criação de uma agência integrada de inteligência da União em parceria com os Estados.

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