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Preço para apoio a Temer em denúncia inclui cabeça de ministro tucano é o título de matéria na Folha

Partidos da base aliada intensificaram a pressão sobre o Palácio do Planalto com o início da tramitação da segunda denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Michel Temer (PMDB).

A conta ficou mais cara, já que os partidos que ajudaram o peemedebista a escapar da primeira denúncia, de corrupção passiva, agora querem a cabeça do ministro tucano Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), responsável pela articulação política do governo.

Eles também cobram a liberação mas rápida de verbas para emendas que apresentaram ao Orçamento —represadas, segundo líderes de vários partidos— e a entrega de cargos na máquina federal.

Alguns desses compromissos foram feitos pelo Planalto com o objetivo de barrar a primeira denúncia, congelada pela Câmara por 263 votos a 227 em agosto —era preciso o voto de pelo menos 342 deputados para que o Supremo Tribunal Federal fosse autorizado a analisar o caso.

Com isso, cresceu a desconfiança e a insatisfação de deputados, que cobram o “pagamento” integral dessa primeira fatura. Desta vez, Temer é denunciado por obstrução da Justiça e organização criminosa, acusação que recai também sobre seus ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Há inclusive uma movimentação de siglas governistas para se aliar à oposição e aprovar na Comissão de Constituição e Justiça, na semana que vem, o fatiamento da análise do caso.

Com isso, avaliam ter um poder maior de pressão sobre o Planalto, já que dois dos principais ministros e aliados de Temer ficariam sob maior risco de verem as investigações contra eles progredir.

SEM BRINCADEIRA

Partidos deram na semana passada o primeiro sinal mais evidente de que não estão para brincadeira.

Na votação de uma medida provisória, a Câmara manteve o foro privilegiado de Moreira Franco por uma diferença de apenas cinco votos. Deputados afirmam que o placar de 203 a 198, com sete abstenções, não foi apenas uma reação pessoal ao ministro, que já não conta com grande simpatia de governistas no Congresso.

“É o tamanho da encrenca que está aqui. Sem ninguém fazer campanha contra [Moreira Franco], quase o cara perdeu [o foro]”, afirmou o deputado Paulinho da Força (SD-SP).

“Esta foi a demonstração generalizada dos deputados da base insatisfeitos por o governo não ter cumprido compromissos assumidos [à época da primeira denúncia]”, disse o líder do PR, José Rocha (BA), referindo-se ao empenho e pagamento de emendas parlamentares.

“Uma coisa são os dois ministros, outra coisa é o presidente, a figura institucional do presidente. Os ministros são eles mesmos, e estão com um desgaste enorme”, afirmou o líder do PSD, Marcos Montes (MG).

Emendas parlamentares e cargos são antigas moedas de troca entre Congresso e Executivo. As primeiras são usadas pelos congressistas para direcionar verbas a obras e investimentos em seus redutos eleitorais. É o principal ativo que usam na tentativa de se reeleger.

Apesar de as emendas terem execução “impositiva”, a real liberação do dinheiro depende de uma série de fatores burocráticos, como projetos feitos de forma correta pelas prefeituras, além de folga orçamentária. Isso abre margem para o governo modular a abertura da torneira de acordo com suas conveniências políticas.

As críticas a Imbassahy partem de siglas do “centrão”, grupo de partidos governistas de médio e pequeno porte que reúne cerca de 200 dos 513 deputados.

“Ele atrapalha muito mais que ajuda. É um secretário que não conversa com os líderes”, disse o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL).

Imbassahy disse não ter conhecimento das críticas. Em sua defesa saiu o líder do PMDB, Baleia Rossi (SP), que minimizou os ataques ao ministro tucano.

“A posição que ele ocupa é das mais difíceis no Palácio. Por mais que ele se esforce, não consegue atender todas as demandas. Acaba ficando com alguém reclamando. Mas ele tem trabalhado de maneira correta e tem sido leal”, afirmou o parlamentar peemedebista.

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