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‘Se Deus escolher você, que assim seja’, diz pastor a Doria na prefeitura é o título de matéria na Folha

“Cheguei nele e disse: Deus não tem compromisso com a sigla, mas com seres humanos. Se Deus escolher você, que assim seja.”

A declaração do reverendo José Dinarte, num encontro de João Doria (PSDB) com 40 pastores, nesta quarta-feira (27), na sede da prefeitura paulistana, refletiu sentimento em ascensão no segmento evangélico: caso se consolide o racha entre o governador Geraldo Alckmin e o homem que ele apadrinhou na eleição municipal de 2016, o prefeito terá a preferência deles.

Nos bastidores, Doria assume a disposição para rivalizar com Alckmin e diz a aliados que vê uma chance na disputa presidencial de 2018.

Um dos movimentos possíveis, caso o PSDB escolha o governador como seu candidato ao Palácio do Planalto, é trocar de legenda –DEM e PMDB estão entre os partidos que já o sondaram para eventual filiação.

A fala oficial é outra. Mudar de sigla e enfrentar seu padrinho político nas urnas “não está no cardápio”, disse Doria em evento do MBL, no começo da semana.

Também aos líderes evangélicos ele repetiu que é “amigo do Geraldo” e não cogita traí-lo, afirmou à Folha o reverendo Dinarte.

Mas os pastores não parecem convencidos com o discurso. No grupo recebido pelo prefeito, já se fala abertamente numa “escolha de Sofia”, já que os dois tucanos têm simpatia do segmento. Doria leva vantagem por “estar mais próximo de nós, nos receber, conversar conosco, pedir nossa ajuda”, segundo Dinarte.

PARCERIA

O reverendo é um dos cinco líderes que conversaram com a reportagem após a reunião na prefeitura, onde Doria agradeceu a parceria das igrejas em programas sociais e disparou frases como “a paz de Cristo sempre no nosso coração”. Lá estavam representantes de algumas das maiores denominações evangélicas do país, como as Assembleias de Deus Belém e Madureira.

Foi o único, contudo, que aceitou escancarar sua predileção pelo prefeito. Outros o fizeram, mas descartaram tornar a posição pública para não melindrar a relação com o governador.

“Isso é uma saia justa, porque o Geraldo e a [primeira-dama] Lu [Alckmin] são nossos amigos pessoais. Mas o Doria é uma liderança que desponta e tem que ser considerada”, afirmou uma convidada que, oficialmente, optou por ficar “em cima do muro” até o desfecho da rixa interna no tucanato.

Posição ecoada pelo pastor Leônidas, da Assembleia de Deus São Miguel: “Prefiro esperar. Diante do quadro político, qualquer um dos dois é bem-vindo”. Deiró de Andrade, que lidera outro ministério assembleiano, o São Mateus, seguiu na mesma toada. “A igreja vai trabalhar com leveza para qualquer um dois homens de bem.”

Desde o início do mandato, Doria vem encaixando encontros religiosos em sua agenda oficial e articulando uma rede evangélica, com ajuda do pastor Luciano Luna e do presbítero Geraldo Malta.

Em agosto, riu quando o pastor Silas Malafaia, a quem chamou de amigo, disse que “quem quiser fazer graça com o politicamente correto” poderia “seguir seu caminho”, no café da manhã que abriu a Expo Cristã. Malafaia criticava, então, o ensino da ideologia de gênero nas escolas.

Para Dinarte, “vai ser impossível Doria cumprir os quatro anos de mandato, devido à proporção que está tomando o nome dele [no xadrez eleitoral], seja para governador, seja para presidente”. Continua o reverendo: “A Bíblia diz que Deus escolhe aquele que vai governar o povo: orai pelas autoridades, pois elas são constituídas por Deus”.

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