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PMDB quer que Imbassahy ocupe espaço político de Geddel na Bahia, diz o Valor

A segunda prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, há 20 dias, deflagrou uma corrida para ocupar o espaço político do principal cacique do PMDB na Bahia e aliado histórico do presidente Michel Temer. A disputa envolve políticos de outros partidos dispostos a migrar para o PMDB e até mesmo um embate interno entre grupos adversários ao de Geddel que tentam tomar para si o controle do partido, ainda em mãos de aliados do ex-ministro.

Com aval de Michel Temer, lideranças nacionais do PMDB sondaram o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, do PSDB da Bahia, para que se filiasse ao partido. Além do comando do PMDB local, estão em jogo duas vagas na chapa que terá o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), concorrendo ao governo da Bahia em 2018: uma de vice-governador e outra ao Senado.

Ministro indicado pelo PSDB justamente para ocupar a vaga de Geddel, quando o pemedebista foi obrigado a deixar o cargo em novembro do ano passado, Imbassahy conquistou a confiança de Temer e se transformou em um de seus auxiliares mais próximos.

Muito antes do flagrante do bunker em Salvador com R$ 51 milhões, Geddel afastara-se do governo devido às denúncias de tráfico de influência para liberar uma obra embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Era o início do ocaso político de Geddel, hoje considerado irreversível, depois que a Polícia Federal identificou as digitais do ex-ministro nas cédulas de reais e dólares encontradas no apartamento em Salvador.

É neste cenário que o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), fez chegar a Imbassahy o convite para migrar para a sigla. O problema é que aliados de Geddel já se pintaram para a guerra, prontos a impedir que o controle do partido acabe nas mãos de “invasores”.

O presidente da sigla, deputado estadual Pedro Tavares, disse ao Valor que o PMDB é uma sigla “plural”, aberta a receber novos quadros, mas “desde que não venham impor condicionantes”. Ou seja, que não tentem lhe tomar o partido ou interferir nas negociações com o DEM para a formação da chapa ao governo.

Nesta condição, segundo Tavares, o PMDB receberia Imbassahy. Tavares afirma que apesar do afastamento de Geddel, o partido tem outras lideranças locais para negociar as vagas com o DEM: o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, Herzem Gusmão, prefeito de Vitória da Conquista, e Colbert Martins, vice-prefeito de Feira de Santana.

Enquanto Imbassahy não se define, aumenta o assédio ao presidente do PMDB, Romero Jucá, pelo comando da sigla na Bahia. Vindo até mesmo do DEM, protesta um aliado de Geddel. Uma ironia, porque na última semana, o DEM foi a público acusar o PMDB de interferir nos planos de expansão da legenda.

Imbassahy ainda não respondeu, mas a oferta do PMDB lhe é tentadora. Sobretudo porque enfrenta, justamente, uma disputa interna no próprio PSDB pela segunda vaga ao Senado na chapa de ACM Neto, reservada aos tucanos: uma maioria tucana começa a se formar em torno do nome do deputado Jutahy Júnior para esta vaga, a outra liderança baiana do partido.

Não bastassem as críticas de parlamentares de outros partidos ao responsável pela articulação política de Temer, Imbassahy tornou-se alvo de críticas em sua própria bancada.

A ala dos “cabeças-pretas”, tucanos contrários à permanência da sigla no governo, acreditam que “Imbassahy vestiu demais a camisa de Temer, até mais do que o próprio presidente” e avaliam que isso poderia respingar na candidatura dele. Este grupo tem sustentado que Jutahy deve postular a vaga de candidato majoritário na chapa de Neto.

O titular da Secretaria de Governo dividiu com interlocutores mais próximos que se o PSDB fechar as portas para suas pretensões em concorrer a uma cadeira no Senado em 2018, mais de um partido já teria demonstrado interesse pelo seu passe.

Além do PMDB, o ministro tucano também foi sondado pelo PRB baiano. E em meio aos convites ao tucano, outros nomes correm por fora para a vaga que seria de Geddel para o Senado: o líder do PR, deputado José Rocha, e o deputado José Aleluia (DEM).

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