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Meirelles ganha força no PMDB e Centrão como candidato em 2018, diz o Valor

A eventual candidatura presidencial pelo PSD do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já tem adeptos em outras legendas Centrão (PP e PR) e em alas influentes do próprio PMDB. O movimento de Meirelles, ainda cauteloso, pode ganhar musculatura caso se consolide a trajetória de recuperação da economia, mas com a retomada do emprego.

O PSD começa a planejar eventos em outros Estados para que Meirelles dê palestras sobre a trajetória ascendente da economia.

Esse movimento também ganha apoio discreto no Palácio do Planalto, onde auxiliares diretos do presidente Michel Temer veem no ministro um nome com chances eleitorais, mas em um cenário bastante peculiar: com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora da corrida e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, referendado pelo PSDB – só que partindo de um dígito nas pesquisas e com alta rejeição.

Analisando esse quadro, um ministro de Temer disse ao Valor que há dois pressupostos relevantes para o voo solo de Meirelles: é preciso que a melhoria do ambiente econômico “chegue ao bolso do cidadão”, com aceleração do crescimento e queda do desemprego. A manutenção dos baixos índices de inflação também é peça crucial na estratégia.

Outro obstáculo seria a escolha do prefeito de São Paulo, João Doria, como candidato do PSDB à Presidência. Esse auxiliar de Temer lembra que o nome de Doria agrada aos partidos do Centrão – no caso o próprio PSD de Meirelles, além de PP, PR e PRB, que seguem unidos na campanha.

Na mesma linha do assessor presidencial, o líder do PSD, deputado Marcos Montes (MG), disse ao Valor que a candidatura de Meirelles só se viabiliza “se a economia decolar”, porque neste caso seu palanque seria imbatível. Mas o líder também admite que retomada do crescimento precisa se refletir na rotina dos cidadãos, ou seja, na volta do emprego e na retomada da renda.

Ontem, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou novas 35 mil contratações, somando 163 mil novas vagas formais em 2017. No dia anterior, o governo celebrava a alta da arrecadação de impostos e tributos federais. Com isso, já previa um descontingenciamento de recursos na próxima semana. Paralelamente, a expectativa é de que a inflação sob controle mantenha os juros baixos por um bom tempo e o ritmo de crescimento anualizado da economia esteja na faixa de 3% ou mais em meados de 2018.

De acordo com Montes, o PSD vai surfar na melhoria do ambiente econômico, tendo Meirelles à frente do processo. “Vamos dar a ele o verniz político”, afirmou. O partido quer que Meirelles faça pelo Brasil o que tem feito no exterior: palestras explicando a recuperação da economia e as consequências desse processo. Há projetos de levar Meirelles para fazer apresentações em Minas Gerais, no Pará e em outros Estados. Em algumas semanas, a bancada também volta a se reunir com Meirelles para repassar a conjuntura política.

Esse movimento ocorre em paralelo à aproximação do ministro de igrejas evangélicas. Depois de ter participado de culto da Assembleia de Deus, no Pará, ele gravou vídeo em que pede uma “oração pela economia” a fiéis.

O auxiliar de Temer ouvido pelo Valor acrescenta que, no cenário sem Lula e com Alckmin, haveria pulverização de candidatos, sendo que Marina Silva (Rede) não desperta confiança, Ciro Gomes (PDT) não é agregador e ninguém quer se aproximar de Jair Bolsonaro (em migração para o PEN). Com isso e sem Doria, a aglutinação em torno de Meirelles seria um processo natural.

O próprio auxiliar presidencial, no entanto, aponta um calcanhar de Aquiles: o apoio explícito do PMDB hoje, associado à impopularidade de Temer, pode ser uma desvantagem maior do que os efeitos positivos de tempo de TV e máquina pública jogando a favor. Nada que uma melhoria mais sólida da economia não possa desfazer, diz esse interlocutor do Planalto e do próprio Meirelles.

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