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Presidente retoma agenda com deputados e libera emendas é o título de matéria no Valor

De volta da viagem aos Estados Unidos, o presidente Michel Temer investirá em duas linhas de ação nos próximos dias: a articulação para arquivar o quanto antes a segunda denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra ele; e o esforço simultâneo para descolar os bons resultados da economia da crise política. Temer vai redobrar o corpo a corpo com os deputados e mapear as insatisfações, que envolvem cargos e emendas não pagas.

Mas uma reforma ministerial está descartada antes de março, quando os ministros têm que deixar os cargos para se candidatar. Um levantamento prévio feito pelo Valor aponta que pelo menos 16 dos 28 ministros devem se desincompatibilizar para concorrer às eleições de 2018.

Esse número pode subir para 19 num cenário em que três dos principais auxiliares de Temer seriam candidatos: o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que se colocou como pré-candidato à sucessão presidencial. E os titulares da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, ambos do PMDB. Neste momento, contudo, Padilha e Moreira descartam eventuais candidaturas.

Um auxiliar ressalva que só haverá uma reforma agora se o PSDB romper com Temer, mas esse não é o desejo da maioria da sigla. Alvo principal das queixas de parcela expressiva da base aliada, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), não será substituído. Às vésperas da mobilização do governo para análise da segunda denúncia, Temer preservará o articulador político, apesar dos protestos que partem, especialmente, das bancadas do PP, PR e PSD.

O líder do PP, deputado Arthur Lira (AL), disse ao Valor que se tornou uma voz quase isolada a se manifestar abertamente pelo afastamento de Imbassahy. “Ele não contribui em nada para o bom relacionamento com o governo”. Lira invoca como exemplo o recente episódio que levou o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), a fazer críticas públicas ao tucano pelo suposto gesto de descortesia. “Ele deu as costas para o Fabinho”, relata Lira.

Outras lideranças ouvidas pelo Valor reconhecem, em conversas reservadas, que há uma insatisfação generalizada com Imbassahy, que não convocaria os líderes para reuniões e sequer os convidaria para cafés. “Quem faz isso é o Michel [Temer]”, relata um líder que pediu anonimato.

O líder do PSD, Marcos Montes (MG), relativiza esse descontentamento da base: “Por estar na linha de frente, Imbassahy transformou-se num parachoque, um anteparo das queixas dos aliados”, resume. “Há insatisfação de uma parcela de deputados com o governo, mas acabam descontando no Imbassahy”, explica.

Um ministro confirmou ao Valor que chegou a Temer a proposta para substituir Imbassahy por um nome do PMDB: o titular da Integração Nacional, Helder Barbalho. Nessa hipotética dança das cadeiras, o PP poderia reaver a pasta da Integração, que comandou no passado, enquanto o PSD retomaria o Ministério das Cidades, hoje com o PSDB.

Mas Temer não quer nem ouvir falar em se indispor com o PSDB. Por isso, nem Imbassahy nem outro auxiliar será substituído neste momento.

Temer agirá agora da mesma forma como atuou na articulação para suspender a primeira denúncia. Receberá os deputados em reuniões individuais, vai liberar emendas extraordinárias, além daquelas impositivas que já estavam prometidas, e redistribuir cargos de segundo e terceiro escalão.

Um foco de insatisfação já será liquidado na bancada do Solidariedade (14 deputados). O titular da Secretaria Especial de Agricultura Familiar, José Ricardo Roseno, apadrinhado do deputado Zé Silva (SD-MG), será substituído pelo secretário-adjunto, Jefferson Coriteac, que tem o respaldo de mais integrantes da bancada.

Do núcleo mais próximo de Temer, o presidente do PMDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), confirma que mudanças no primeiro escalão do governo somente ocorrerão em março.

Quanto ao condutor da política econômica, foco das boas notícias do governo, um auxiliar presidencial disse ao Valor que Meirelles ainda avalia a eventual candidatura. Nesta hipótese, ele poderia se lançar com o apoio do governo e dos partidos do Centrão, liderados pelo PSD.

Mas o voo de Meirelles depende da consolidação da recuperação econômica, num cenário em que se confirme o PIB de 2018 projetado pela Fazenda, com um crescimento estimado entre 2% e 3%, além da retomada dos empregos.

Em outra frente, pelo menos dois auxiliares postularão uma vaga no Executivo estadual. O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), disputará o governo do Pará, enquanto o titular de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, é cotado para o governo de Pernambuco. Hoje no PSB, Fernando Filho migrará para o PMDB na primeira janela para troca de partidos, prevista para março.

Os outros 14 ministros concorrerão aos cargos de deputado federal ou de senador, conforme o Estado. Em Alagoas, por exemplo, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, do PR, pretende disputar uma vaga ao Senado com o colega de Esplanada, Marx Beltrão, do PMDB.

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