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Depoimentos da Odebrecht complicam mais situação da chapa no TSE, diz O Globo

As delações dos executivos da Odebrecht terão impacto direto no julgamento do processo de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois das revelações contundentes dos depoimentos, a situação de Temer se complicou. Ministros da Corte avaliam que ficou inviável absolver a chapa das acusações de abuso de poder político e econômico na campanha de 2014. No entanto, alguns integrantes do tribunal ponderam que tirar Temer do cargo no momento em país convulsiona diante das acusações, seria prejudicial não só politicamente, mas também no aspecto econômico.

Os elementos que já existiam até agora eram fortes, mas esses depoimentos (da Odebrecht) dão maior clareza sobre o que ocorreu — disse um ministro.

Existem elementos para condenar a chapa — concorda outro integrante do tribunal.

Hoje, há sobre a mesa apenas duas soluções possíveis para Temer se manter no comando do país caso a chapa seja condenada. A primeira delas, já costurada nos bastidores, seria interromper o julgamento com um pedido de vista. Colegas esperam que o ministro Napoleão Nunes, o primeiro a votar depois do relator, Herman Benjamin, faça isso, jogando a discussão para um futuro indeterminado. A atitude contrariaria os interesses do relator, que quer ver o caso concluído logo — e, por isso, vai pedir para o julgamento ser marcado para maio.

A segunda solução para Temer seria a adoção do critério defendido pela defesa de que a conduta da campanha deve ser examinada de forma fatiada entre PT e PMDB. Porém, essa hipótese é mais complicada, porque, no tribunal, há ministros que consideram a impossibilidade de realizar a separação das contas.

A instrução do processo está em vias de ser concluída. Na segunda-feira, o TSE ouvirá os últimos depoentes: o publicitário João Santana; a mulher dele, Monica Moura; e André Santana, apontado como operador do casal. Eles podem complicar a vida de Dilma se confirmarem que ela sabia dos pagamentos por caixa dois no exterior, como afirmaram em depoimento à Lava-Jato.

Os três depoimentos só foram incluídos no processo porque o próprio PT pediu para adiar o julgamento, que estava marcado para começar no dia 4 de abril. Eles queriam mais três dias para apresentar alegações finais.

O adiamento pedido pela defesa da Dilma foi um tiro no pé, ou na cabeça. Por conta de três dias, eles abriram a cratera de um vulcão, pois permitiram que o Ministério Público pedisse o depoimento da Monica Moura e do João Santana. Esse adiamento foi catastrófico (para Dilma), porque a mãe de todas as provas pode ser esses depoimentos — analisou um ministro.

Até agora, apenas Marcelo Odebrecht disse ter informado à ex-presidente sobre os pagamentos ilegais na campanha. No entanto, relatou que isso teria ocorrido depois da eleição. Nenhum delator disse que Temer sabia das irregularidades durante as eleições.

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