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Renan volta ao ataque e ordem no Planalto é ‘esvazi-lo’, diz o Estadão

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), voltou ontem a usar as redes sociais para atacar o governo. Em vídeo, criticou a sanção da “terceirização irrestrita” e disse que a “insistência” na reforma da Previdência “que pune o trabalhador e o Nordeste” mostra que o governo segue “errático”. “E quem não ouve erra sozinho.”

Em reação à subida de tom do correligionário, o presidente Michel Temer decidiu isolar o peemedebista. Os ataques de Renan ao governo nos últimos dias foram entendidos como uma ruptura e a palavra de ordem no Planalto é “esvaziar” o adversário.

Esse tom beligerante já foi adotado antes, ao falar da reforma da Previdência e do projeto que regulamenta a terceirização, aprovado pela Câmara.

Mais recentemente, Renan condenou o bloqueio de R$ 42,1 bilhões de despesas previstas no Orçamento e o fim do benefício fiscal que reduzia a contribuição previdenciária de 50 setores. “Corte de investimento, reoneração da folha, terceirização geral, tudo isso junto só vai drenar as energias de uma economia que não consegue se levantar”, disse ele no vídeo.

Conforme revelou a Coluna do Estadão, o Planalto preparou um “pacote” para provocar Renan. A sanção da terceirização, a que ele se opõe, ocorreu na sexta-feira passada. No mesmo dia, Temer nomeou para o Tribunal Regional Federal da 5.a Região Leonardo de Cavalcante Carvalho, um aliado do presidente do Senado, Eunício Oliveira. A escolha foi entendida como uma represália às críticas de Renan.

O vídeo divulgado na quintafeira teria deixado o presidente contrariado e aliados o estimularam a reagir no mesmo nível. Uma das medidas é vetar indicados do senador em cargos do governo. Para um interlocutor de Temer, livrar-se de Renan é “uma boa” para o Planalto.

Fora do quadradinho’. O discurso no governo é que não há motivos para preocupações, porque Renan “está diminuindo”. Para fontes próximas ao presidente, o ex-presidente do Senado reage à perda de protagonismo. Ele está “fora do quadradinho” e preocupado com as próximas eleições, segundo um amigo de Temer.

Fora do comando do Senado, Renan viu concorrentes em Alagoas ganharem projeção – entre eles Maurício Quintella, hoje ministro dos Transportes, e Arthur Lira (PP-AL), alçado à condição de líder da bancada do partido na Câmara.

Além disso, o peemedebista é alvo de ações na Operação Lava Jato e suas chances de conseguir a reeleição no cargo se tornaram incertas.

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