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Alckmin faz ‘política de varanda’ para obter apoio de governadores, diz a Folha

Sem viajar excessivamente para não descuidar do governo de São Paulo nem dar bandeira de suas pretensões presidenciais, Geraldo Alckmin (PSDB) passou os últimos meses fazendo “política de varanda”.

É assim que ele apelidou o trabalho, para viabilizar a candidatura em 2018, de receber políticos de todo o país no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Semanalmente, senta-se para debater problemas regionais e identificar aliados, sobretudo onde ele mais precisa, o Nordeste. Considerando a boa entrada do PSDB nas regiões Sul, Sudeste e até Centro-Oeste, Alckmin repete, quando questionado sobre o tom de sua possível campanha presidencial: “Nordeste, Nordeste, Nordeste. Emprego, emprego, emprego”.

No grupo de Whatsapp dos 27 governadores do país, o tucano se tornou um “animador”, que puxa assunto. “Precisamos conversar sobre a questão dos precatórios”, escreveu outro dia.

A pauta comum aos Estados acabou aproximando-o de alguns de seus pares. O tucano Marconi Perillo, de Goiás, é um deles. Eles se falam com frequência e chegaram até a mencionar uma eventual chapa puro sangue, em que Perillo sairia como vice de Alckmin. Tudo embrionário.

Há uma sintonia entre os dois. O paulista quer o goiano presidente do PSDB. Os dois defendem prévias para a definição do candidato presidencial do partido –saída para tentar driblar o controle do PSDB pelo senador Aécio Neves (MG). “Para o partido ganhar, precisa de união. É condição ‘sine qua non'”, afirmou Perillo à Folha.

Ele tem ajudado a aproximar Alckmin de outros governadores como Paulo Hartung (PMDB-ES) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Hoje, o paulista tem relação com cerca de 15 governadores.

‘PORÉNS’

Há dois possíveis obstáculos para Alckmin concorrer ao Planalto. O primeiro é a especulação em torno de uma possível candidatura do prefeito de SP, João Doria (PSDB), à Presidência. O segundo é a Operação Lava Jato.

Aliados do governador paulista afirmam que os rumores sobre Doria são espuma. Dizem que o prefeito de São Paulo só se lançará se houver consenso entre ele e o governador. Mas este seria só o plano B, garantem.

“Sobre João Doria só posso falar o que ele falou, né?”, disse o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), em referências às falas públicas do prefeito negando qualquer pretensão nacional.

“Alckmin demonstra que tem essa vontade de encarar o país em sua diversidade, escutando, aprendendo e colocando à disposição a sua experiência”, elogiou Marinho.

LAVA JATO

Sobre a Lava Jato, o governador de São Paulo foi citado em delação por suposto recebimento de caixa dois, em dinheiro vivo, para campanhas de 2010 e 2014, o que ele nega.

Aliados se fiam na simplicidade com que o governador vive ao argumentar que será menos danoso do que o de outros tucanos.

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