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Lisboa: situação das contas está longe de ser resolvida, mesmo com corte é o título de matéria no Globo

Mesmo com o corte expressivo de R$ 42,1 bilhões no Orçamento e o fim das desonerações da folha de pagamento anunciados anteontem pela equipe econômica, a crise fiscal brasileira está “bem longe” de estar resolvida, na opinião do economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, e crítico das desonerações.

Ainda há muito a ser enfrentado: a reforma da Previdência, a crise dos Estados. A situação fiscal do Brasil não está a salvo. Estamos bem longe disso — diz Lisboa.

Para o economista, a retirada das desonerações da folha de pagamento “vai para o lado correto”, que em sua opinião é o de padronizar e simplificar o sistema tributário nacional. Em sua visão, as desonerações concedidas para alguns setores criaram “distorções”, que prejudicam diretamente o crescimento econômico.

O que houve nos últimos oito anos, desse Estado que decide que Antônio tem benefício e João não tem, foi que se criaram muitas disfuncionalidades na economia, fazendo o sistema tributário muito mais complexo. Precisamos de regras estáveis, de clareza, de saber qual é o norte para que a economia volte a crescer — avalia.

Apesar de uma visão relativamente positiva sobre as medidas adotadas pela equipe econômica, Lisboa é crítico da maneira e das circunstâncias em que o anúncio foi feito. Segundo ele, há uma “impressão de improviso” na atuação do governo.

GOVERNO PARECE AGIR NO SUSTO

Afirmando que a atual gestão “tem uma agenda muito mais responsável fiscalmente” do que o governo de Dilma Rousseff, Lisboa pondera que a forma de agir do governo de Michel Temer “compartilha um pouco da ideia de anúncios de medidas de curto prazo pelos sustos que toma”.

Já se sabia que a recuperação (da atividade econômica) seria mais difícil que o esperado, assim como as críticas às desonerações são de longa data. Então, por que fazer (o anúncio) no improviso da frustração do Orçamento? Por que não ter uma agenda, de fato, para a retomada do crescimento de longo prazo? — argumenta, repetindo que o governo parece “reagir no susto ao ler o noticiário”.

Na opinião do economista, esse modo de agir mostra “uma gestão que está sendo consumida pelo dia a dia e que, dessa forma, não vai conseguir construir um caminho sustentável de longo prazo”.

Sobre a manutenção da desoneração para alguns poucos setores, como o de construção civil, Lisboa diz ver essa decisão como parte de um processo de transição para a eliminação definitiva do benefício:

Tenho muita preocupação com medidas abruptas, pela incerteza que isso gera na economia. Já vivemos demais isso desde 2008. A transição é positiva, mas o governo tem que deixar claro qual será o sistema tributário, que, na minha opinião, tem de ter um padrão.

Mesmo considerando a redução das desonerações e o corte nos gastos como acertados, Lisboa lembra que a recuperação da economia depende de não haver um “desastre na reforma da Previdência”, o que ocorreria com a não aprovação da idade mínima para a aposentadoria, ou a retirada dos servidores estaduais e municipais das mudanças de regras.

Podemos recuperar parte do que perdemos nos próximos dois anos. Não é crescimento, é usar a fábrica que está parada, recontratar o desempregado. Mas, para crescer, é preciso ter clareza nas regras do jogo, não dá pra investir num pais em que as regras mudam tanto — reforçou.

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