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Receita cobra milhões da ‘elite’ dos delatores é a manchete do Valor

A Receita começou a cobrar tributo sobre a propina e ganhos ocultos dos delatores pioneiros da Operação Lava-Jato. Ao receber recursos ilegais, eles terão de pagar Imposto de Renda e multa de até 200%, mesmo após o dinheiro ter sido devolvido. Os primeiros acordos de colaboração da Lava-Jato nada falavam sobre isso. Já nos mais recentes, o Ministério Público passou a registrar que eles não estão liberados de pendências fiscais. Incluindo delatores, a Receita está cobrando R$ 11 bilhões de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na Lava-Jato.

O primeiro autuado foi o doleiro Alberto Youssef, de quem a Receita cobra mais de R$ 1 bilhão. Nesse caso, a colaboração prevê perda total do patrimônio. O valor declarado por ele no acordo soma cerca de R$ 55 milhões.

Dos seis ex-dirigentes da Petrobras que foram presos, dois continuam encarcerados Renato Duque (da área de Serviços), condenado a 21 anos, e Jorge Zelada (Internacional), a 12 anos e 2 meses. Pedro Barusco se comprometeu a devolver US$ 97 milhões e Paulo Roberto Costa, cerca de R$ 70 milhões.

Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que abalou o mundo empresarial e político quando detalhou o esquema de corrupção sistêmica na Petrobras em sua delação premiada, está em liberdade. Já não usa tornozeleiras e no momento presta serviços comunitários, ajudando alunos do ensino médio com dúvidas sobre matemática, física, história e geografia em uma escola na região do distrito de Itaipava, região serrana do Rio, onde mora. Ele devolveu US$ 25,8 milhões e a Justiça determinou que pague multa de R$ 5 milhões. Agora, colabora com o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA.

Nestor Cerveró, da área Internacional da Petrobras, foi condenado a 25 anos, e está em prisão domiciliar em Itaipava, mesma região onde Costa mora. Ele terá de devolver cerca de R$ 17,7 milhões parte já recuperada pela Justiça. Com multa de R$ 825 mil, tem prazo até dezembro para vender três apartamentos na zona sul do Rio e dois terrenos em Teresópolis e Itaipava.

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