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Governo tem maioria na Câmara e Temer fica

Senadores escolhem emendas apresentarão LDO 2020

A boa vitória do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados na primeira denúncia feita pelo procurador Rodrigo Janot mostrou que o governo ainda detém a maioria da Câmara (264 a 227), mas o número ainda é insuficiente para garantir a musculatura na tentativa de retomar a rotina legislativa, o que inclui a ressurreição da reforma previdenciária e a aprovação de medidas econômicas.

O placar ficou abaixo das projeções palacianas que previam mais de 280 votos.

​A divisão na Câmara e entre os partidos políticos, revelada no renascimento de Temer, também abrirá feridas em vários segmentos e partidos políticos e inaugurará também uma verdadeira guerra pelo espólio daquelas legendas da base que apresentaram um baixo grau de fidelidade ao governo. Entre elas está o PSDB, que saiu cindido e muito machucado do episódio. O governo não pretende punir os tucanos em razão de uma eventual segunda denúncia e também em prol das reformas.

​Entre os vencedores estão o próprio Michel Temer que, pessoalmente, comandou uma reação política de rearticulação da base governista, culminando com o arquivamento da 1 denúncia. Profundo conhecedor do apetite dos deputados, Temer escancarou o balcão de benesses, verbas e cargos e conseguiu superar os 172 votos mínimos. Outro vencedor é Rodrigo Maia que se manteve fiel a Michel Temer. Se credencia para ser novamente presidente da Câmara ou candidato a vice presidente em 2018.
​Igualmente vitoriosos saem o Centrão (PSD, PP, PR, PTB, SD, PSC ) e os principais articuladores governistas no Congresso, entre eles os líderes Romero Jucá, André Moura e o trio de deputados que, mesmo diante de um desgaste eleitoral inevitável, assumiu a defesa pública de Temer em entrevistas na TV, jornais e Rádios. Entre eles estão Carlos Marun, Darcísio Perondi e Beto Mansur, o contador oficial do governo.

​A agenda das reformas também ganha uma perspectiva que ainda não é uma certeza, já que faltam ainda 44 votos para os 308  votos mínimos para a previdenciária, que enfrenta uma área de fricção muito alta. O tamanho do governo atual permite pensar em um reforma mais modesta como, por exemplo, com a idade mínima, já que não é licito fazer uma relação direta entre os votos dados a Michel Temer e potenciais votos favoráveis à reforma. As 2 abstenções e 19 ausências que, neste caso, é pró temer não podem ser contabilizadas como favoráveis à reforma.

Nesse incipiente renascimento do governo estão ainda a lista de temas emergenciais para ampliar a arrecadação como a TLP, a desoneração e a medida provisória do Refis. Com o ânimo político revigorado, o governo reúne agora melhores condições de retomar a essência das três propostas que exigem maioria já demonstrada no maior teste enfrentado por Temer no Parlamento.

​Entre os derrotados há uma extensa relação

O maior deles é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deve insistir em nova denúncia com a perspectiva das delaçoes de Eduardo Cunha e do doleiro Funaro. As organizações Globo,  cuja contundência permanece inexplicada, sofreram um duro revés e seu comportamento futuro em relação às reformas poderá calibrar a viabilidade da proposta.  Antes dos escândalos os veículos da organização eram francamente favoráveis à reforma.

​No âmbito político a maior vítima é o PSDB

A ambiguidade recorrente da sigla, que se dividiu entre desembarque e permanência, rebaixou os tucanos a um papel secundário e diminuiu o peso político da sigla na decisão. O próprio encaminhamento contra Temer, anunciado horas antes da votação aprofundou o racha no partido, que levará muito tempo para cicatrizar sua cicatrizes. Outro desdobramento crítico será a punição ou não aos dissidentes do PMDB, já que a legenda fechou questão a favor de Temer. Entre os dissidentes reluz o ex-presidente da sigla, Jarbas Vasconcellos.

​Politicamente a votação terá alguns desdobramentos. A primeira e obrigatória leitura é de que a Câmara dos Deputados, comandada por Michel Temer, fragiliza a Lava Jato e aposta em uma nova configuração de forças para romper a aliança mídia/Ministério Público que acossou o parlamento nos últimos anos.  Uma das primeiras mexidas do governo, após a sobrevivência, será no comando da Polícia Federal que, ao lado de uma nova procuradora geral, tende a abrandar a midiatização da Lava Jato.

Os partidos de oposição, embora tenham atraído um percentual expressivo da base governista (120 votos), também foram vítimas da divisão e desorganização. É oportuno registrar que o PT evitou uma postura mais agressiva contra Temer apostando no desgaste do atual presidente e seus aliados no pleito de 2018. Muitos oposicionistas ajudaram o governo com a presença, mesmo votando não. Alguns oposicionistas apostam que Temer não terá condições de honrar os compromissos assumidos (verbas, cargos e acertos políticos) e que isso pode gerar um grande passivo em uma eventual segunda denúncia.

Eleitoralmente é esperado que os partidos do centrão, vitaminados pela sobrevivência de Temer, ambicionem um protagonismo inédito no processo eleitoral. Além de pressões imediatas para conquistar nacos maiores na administração pública, o centrão passa a cobrar que, a depender dos êxitos da economia, Henrique Meirelles seja o candidato do governo à sucessão de Michel Temer.

Os próximos dias serão de muita análise de números e de um minuciosa lupa na radiografia da votação. Entre os grandes partidos governistas a maior dissidência foi registrada no PPS. O partido que tem um ministério garantiu apenas um voto para Temer e 9 contrários. A segunda maior taxa de traição foi no PSDB. Foram 22 votos pró Temer, 21 contrários e quatro ausências.

No PSD também houve uma divisão acentuada

22 votaram com o governo e 14 contrários. Outra sigla que rachou foi o Podemos com 9 votos a favor de Temer e 5 contrários.
No PR foram 29 votos em favor de Temer e 8 contrários. No PP foram favoráveis ao governo 37 deputados e 7 contrário e no PRB Temer conquistou 15 votos contra 7. O Solidariedade, para o qual foi sinalizado a volta do imposto sindical, deu apenas 8 votos em Temer e 6 contrários. Mesmo com a fidelidade de Rodrigo Maia o DEM apresentou 5 votos contra Temer e 23 favoráveis.

O líder do PMDB na Câmara saiu fortalecido da votação. Foram 53 votos pró Temer, 6 contrários, 1 abstenção e 3 ausências, entre eles o ex-ministro Osmar Serraglio.Na oposição PT e PCdoB votaram 100% contra Temer e o PDT deu apenas 1 voto em Temer contra 17 contrários.

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