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Governo segue em terreno minado

Governo segue em terreno minado

Após o julgamento do TSE, o governo enfrentará um verdadeiro terreno minado que testará diariamente a capacidade de resistência ao cerco montado contra presidente Michel Temer. Já incluídos no radar governista estão rodadas decisivas, tanto na seara política quanto na jurídica.

O primeiro teste já acontecerá nesta segunda feira (12-06) com a reunião do PSDB, âncora política simbólica da sustentação do governo. Na última quarta-feira (07-06), o presidente em exercício da sigla confidenciou a interlocutores que estava difícil segurar o rompimento.

Tasso, segundo apuramos, tem sido objetivo e seco: “Acho que não dá mais. É só desgaste, não tem ganho. Toda semana vai acontecer alguma coisa, não sei o que, mas sei que vai ter”.

Na Câmara dos deputados, entre os 46 deputados, a maioria defende o rompimento com a entrega dos cargos

No Senado Federal, onde havia uma resistência ao rompimento, o episódio do jatinho da JBS causou um mal estar e a expectativa de que o partido será imolado na defesa de crises recorrentes. Na reunião dos senadores na última quarta-feira (08-06), apenas dois deles (Ataídes Oliveira e Dário Berger) defenderam a permanência. Segundo nossas fontes, Aécio Neves está fora das conversas e há uma enorme pressão para ele deixar a presidência sob o risco de ser ejetado.

O ministro Antônio Imbassahy ainda ensaia um movimento junto ao senador Tasso Jereissati no sentido de tentar reter o PSDB na base governista, mas a convocação de uma reunião ampliada (bancadas Câmara e Senado, Executiva e Governadores), mostra que a cúpula transferiu a decisão para as bases do partido, mais refratária a Temer. O viés permanece sendo do desembarque, ainda que no melhor estilo tucano, jurando fidelidade às reformas mais modestas, ao País e facultando aos ministros a entrega ou não de cargos. Ministros Bruno Araújo e Imbassahy devem entregar e Aloysio Nunes Ferreira tende a continuar.

A notícia de que os tucanos poderiam apagar a luz, provocou a reação do líder governista Romero Jucá

Ao ameaçar que o PMDB pode se divorciar dos tucanos em 2018, o experiente Jucá confessou o golpe e, ao desafiar publicamente o PSDB, constrange e afasta o aliado emblemático. Caciques tucanos lembram ainda que ninguém quer estar com Michel Temer, Moreira, Franco e Eliseu Padilha no palanque presidencial.

Na sequência dos desdobramento político, que contamina as demais legendas, virá uma lista de espinhos do calvário prolongado. A primeira será a denúncia do procurador, Rodrigo Janot, contra Temer. Há rumores de que pode ser mais do que uma denúncia, praticamente aprisionando o Congresso e asfixiando a capacidade de reação de Michel Temer. Cada denúncia pode consumir, em média 2 meses, com uma profusão de notícias negativas.

A crise vai continuar e pode se agravar caso o governo insista em uma guerrilha com a dupla Judiciário/Ministério Público, personalizada no ministro Edson Fachin. A tendência do STF, ainda que haja queixas quanto aos métodos de Fachin, é reagir corporativamente e não atirar um dos seus aos leões.

Além dos imponderáveis “fatos novos”, estão no horizonte ainda o avanço do inquérito, as respostas ao interrogatório da PF, a perícia nos áudios, as esperadas delações de Rocha Loures, do doleiro Funaro e Henrique Eduardo Alves, as reações à MP, instrumento de estado editada com propósitos pessoais,  a novela do jatinho, o depósito para Henrique Eduardo Alves  via conta de campanha de Temer e tantas outras armadilhas. Só a renúncia abreviaria a crise e, na semana passada, o presidente do Senado levou a sugestão ao Temer, que a refutou.

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