Análises

Três a três no TSE: desempate é de Gilmar, que pode disputar eleição indireta

Três a três TSE desempate Gilmar pode disputar eleição indireta

Especialistas com trânsito no Tribunal Superior Eleitoral apontam que a decisão sobre o futuro de Michel Temer no tribunal está nas mãos do presidente, ministro Gilmar Mendes.

A rigor o presidente Michel Temer contaria com 3 aliados: Admar Gonzaga,  Tarcisio  Vieira e Napoleão Maia. Os dois primeiros são os votos mais fiéis a Temer e o último mais vulnerável a pressões.

Do outro lado estão sedimentados os votos contrários de Luis Fux (que tem oscilado seu posicionamento, mas hoje é contrário), Rosa Weber e Herman Benjamin, o relator do processo.

O voto de minerva seria do ministro Gilmar Mendes. Uma fonte com excelente trânsito no TSE ouvida nesta quinta-feira (01-06) pela Equilibre informou que a decisão está com Gilmar Mendes, tanto na condução politica, quanto no voto de desempate.

Diante deste quadro, a leitura inicial e mais fácil, é a de que o tribunal estaria, portanto, tendente a absolvição de Temer. Gilmar, crítico público dos procedimentos adotados pelo Ministério Público, e histórico aliado de Michel Temer, não carimbaria, via TSE, a queda de Michel, arquitetada por Joesley Batista e Rodrigo Janot. Assim, com o voto de Gilmar favorável a Temer, o placar estaria consolidado em um 4 a 3, pró-Temer. Essa é a interpretação apressada e mais repetida nos corredores de quem cobre política em Brasília.

No entanto, as apurações de bastidor da Equilibre indicam que Gilmar Mendes está tentando se viabilizar com candidato a sucessão de Temer. Como é presidente da corte, sua atuação será decisiva para o resultado do julgamento. Gilmar estaria trabalhando para que, em caso de abertura de um colégio eleitoral para eleição presidencial indireta, o rito a ser adotado não imponha nenhuma restrição a candidatos, excluindo a necessidade de filiação partidária e dispensando a desincompatibilização, além de caráter bicameral. Com essas regras, Gilmar viabilizaria sua própria candidatura. Concluindo-se que, se o tribunal estivesse mesmo tendente a absolver a chapa, o presidente da corte não estaria empenhado em estabelecer os procedimentos para o colégio eleitoral.

Em síntese: Gilmar Mendes é candidato e seu voto de minerva será influenciado pelo rito que está sendo negociado no Congresso Nacional

Ele teve um almoço como presidente do Congresso, Eunício Oliveira, nesta quinta-feira (01-06) para defender que o rito possibilite a ele e a outros ministros (Executivo e Judiciário) se candidatarem.

Gilmar Mendes é o candidato do PMDB do Senado e, no afunilamento, rivaliza com Rodrigo Maia na preferência dos eleitores (deputados e senadores). O presidente da Câmara tem contra si a inexperiência, a perspectiva de eternizar a crise  em razão das denúncias na Lava Jato e pouco trânsito no Senado. Em caso de eleição bicameral, Rodrigo estaria inviabilizado pelo Senado, onde contaria com apoio do pequeno DEM. Em caso de eleição unicameral, Rodrigo estaria eleito, uma vez que é o preferido entre os deputados.

Gilmar, candidato natural do PMDB do Senado, pode conseguir penetração também na Câmara. Ele é visto com bom olhos pelo líder do PMDB na Câmara e amigo de Michel Temer, Baleia Rossi. Gilmar tem bom trânsito no chamado baixo clero da Câmara. Seu discurso forte de enfrentamento da Lava Jato provoca dois efeitos: atrai parlamentares dispostos a reagir à “criminalização” da política e recrudesce resistências na Lava Jato, no Ministério Público e entre senadores do PSDB, que não querem abrir mão da candidatura de Tasso.

Em meio a bolsa sucessória que não cessa apesar dos discursos públicos de volta à normalidade dos aliados do governo, crescem os rumores em Brasília de uma nova fase da operação nos próximos dias com prisão de um parlamentar, cujo nome anda é mantido em sigilo.

Deixe uma resposta