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Incerteza de aprovação adia reforma trabalhista e Renan segue líder

Incerteza aprovação adia reforma trabalhista, Renan continua o líder oposicionista e Rocha Loures pode ser julgado em Curitiba

Ainda nas cordas e ensaiando espasmos de normalidade, a terça-feira (30-05) foi de revés para o presidente Michel Temer. A votação da reforma trabalhista, emblemática para o momento de vulnerabilidade, foi adiada sob rumores de ausência de votos. A postergação compromete o calendário de tentar votar o tema ainda antes do recesso e a nova data coincide com a sessão prevista do TSE.

O segundo viés de baixa foi a recusa do deputado Osmar Serraglio em assumir a Pasta da Transparência e retornar ao mandato de deputado federal. O movimento desaloja Rodrigo Rocha Loures do foro privilegiado (pode ser preso sem autorização da Câmara) e o remete para 1 instância. O governo duplica sua ansiedade com a perspectiva de uma delação premiada. Flagrado com uma mala de dinheiro, Rocha Loures, da intimidade de Temer, é tido como um personagem frágil e suscetível a pressões.

Deputados do Paraná, sondados para o cargo de ministro, recusaram a manobra para estender a proteção a Rocha Loures dentro do mandato. Uma exposição negativa que ainda abre brechas para novos questionamentos jurídicos de uma outra tentativa de obstrução da justiça. A própria criação da CPI que, embora possa sugerir, uma estratégia para se ganhar tempo acaba sendo um ambiente de permanente hostilidade ao governo.

Também contra o presidente Michel Temer pesou a aquiescência para que a Polícia Federal tome o depoimento do presidente da República no escândalo da JBS por crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Ainda que tenha a prerrogativa de depor por escrito o constrangimento é indisfarçável. A defesa de Michel Temer tinha pedido a suspensão do depoimento e o afastamento do atual relator que, implicitamente, endossou os argumento de Rodrigo Janot contra Temer independente do resultado a perícia nas gravações.

O quinto e forte revés político, conforme adiantado nesta segunda-feira (29-05), foi a manutenção do senador Renan Calheiros à frente da liderança do PMDB. A permanência do senador alagoano é um foco permanente de crise e de contestação. Transmite ainda aos demais aliados, que cobraram a destituição, o sentimento de que Michel Temer não reúne força política para enquadrar o próprio partido. O governo fez um festo muito forte e arriscado, um ultimato para destituir o líder, e perdeu.

Com apenas um tento a favor – o desmembramento do inquérito da JBS –, o denominado grupo de Minas Gerais será relatado por um outro ministro que decidirá, entre outras coisas, o pedido de prisão solicitado contra Aécio Neves pelo Ministério Público. Fachin segue investigando Temer e Rocha Loures.

O balanço do dia é negativo para as pretensões de Michel Temer e seus principais assessores e ajudam a sedimentar no Congresso Nacional a impressão de esgotamento dos espaços de manobra política que permitam sonhar com a permanência no posto. Independente dos esforços palacianos, as articulações para o sucessor de Temer seguem a pleno vapor nos bastidores.

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