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Líder do PMDB, Renan pode alterar composição de comissões e barrar reformas

Líder PMDB Renan alterar composição comissões barrar reformas

As pretensões do governo tentar demonstrar uma artificial normalidade Congressual até conta com a boa vontade de alguns líderes mais devotos, mas são desautorizadas pelo crescimento – agora já publicamente e já com aspas de políticos – das negociações em torno do sucessor. As conspirações abandonaram o bastidor e estão nas entrevistas.

Símbolo dessa publicidade foi o líder do maior partido do Senado que abdicou das sutilezas e, publicamente, pediu a renúncia de Michel Temer em favor de um nome de consenso. Renan Calheiros também pediu para congelar as reformas e, não atendido, vai trocar dois aliados do governo na CAE para votação do mérito da reforma trabalhista, o que antecipa a derrota do governo se insistir na pauta.

A reforma trabalhista não foi lida de fato e um requerimento para adiar a leitura foi derrotado por 13 a 11. Em relação à sessão da CAE haverá desdobramentos com recursos em plenário. Na Câmara o adiamento da PEC das eleições diretas não pode ser interpretado com vitória do governo, mas do establishment político que pretende manter influência no poder através da eleição indireta. Poucos discordam que nas diretas Lula sairia vencedor.

No Congresso está consolidado um sentimento majoritário de que Michel Temer está inviabilizado e os principais operadores políticos de PMDB, PSDB e outras legendas governistas correm contra o tempo para encontrar um nome que apresente o menor grau de resistência na classe política.

Os principais líderes políticos, ouvidos nesta terça-feira (23-05) trabalham com a possibilidade de se chegar a este nome até a véspera do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, marcado para o dia 6 de junho. As articulações serão intensificadas para se chegar a esse nome nos próximos 15 dias.

Alguns poucos líderes ainda trabalham com a expectativa de Michel Temer renunciar abreviando a crise

Mas o presidente da República usa a renúncia como um trunfo a ser apresentado se for assegurada uma saída que o livre da cadeia. Lembram, por analogia, que o MP deu, sem competência para tal, uma anistia ao dono da JBS. Por isonomia o mesmo poderia ser feito com Michel Temer. Se houver esse compromisso, Temer admite a renúncia.

O outro cenário, o segundo mais ágil, é o julgamento pelo TSE, onde Michel Temer vai perdendo os votos que tinha no tribunal e tende a ser cassado. Há quem projete que Michel Temer pode, inclusive, perder os direitos políticos. O fato da decisão do TSE proporcionar recursos não incomoda, já que os principais caciques políticos apostam em julgamento “fast track” dos recursos em qualquer instância judicial.

A bolsa de apostas no início desta semana já está mais clara entre as preferencias partidárias

Os tucanos, em que pese as pretensões de Tasso Jereissati, estão caminhando para um novo nome, o do governador paulista Geraldo Alckmin, surgido hoje. Também negociam com o PMDB o momento de abandonar o “cadáver” Temer, expressão utilizado por um tucano influente.

Entre os peemedebistas os dois nomes mais mencionados nesta terça-feira (23-05) permanecem sendo os do ministro Gilmar Mendes e ex-ministro Nelson Jobim. A novidade nas conversas agora é o nome do presidente do Senado, Eunício Oliveira, para a vaga de vice-presidente, abrindo outro posto para dividir entre os partidos, que é a presidência do Senado.

Rodrigo Maia, Carmem Lúcia, Joaquim Barbosa, Henrique Meirelles e outros nomes, embora sejam muito lembrados nesse primeiro momento, podem não ter fôlego para chegar no afunilamento dos nomes. Tanto Rodrigo Maia quanto Tasso Jereissati adotaram táticas semelhantes e abraçaram a agenda das reformas, cientes de que é uma condição importante para angariar apoios.

Todos os nomes cotados, como já assinalado, enfrentam senões de segmentos partidários

Aquele que, ao longo da negociação, apresentar a menor fricção e for capaz de entregar as reformas, ou parte delas, reunirá a condições para ter a maioria de votos no Colégio Eleitoral. Ter uma ascendência política e o respaldo dos grandes no Congresso é também fundamental para essas pretensões.

Ao contrário do que sugere o noticiário a eleição não é resultado da maioria absoluta entre 594 votantes (513 deputados + 81 senadores). Embora o rito ainda esteja sendo redigido pela secretaria geral do Senado, o eleito terá de conquistar a maioria dos votos da Câmara (257) e do Senado (41), em sessão conjunta, mas com votações separadas. Nesse caso pesa muito a proporção do PMDB no Senado, que detém 32% dos votos naquela Casa.

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