Análises

Chegada a nome de consenso passa por solução para Aécio e Temer

Lei marco legal agências reguladoras sancionada

Na contramão das reuniões organizadas por Michel Temer, onde estiveram 23 deputados e 8 senadores neste domingo (21-05), a renúncia do presidente Michel Temer foi intensamente discutida durante o final de semana em conversas que envolveram os principais caciques dos partidos que ainda sustentam Temer no Congresso.

Um importante líder, que esteve no centro da articulação, segundo fontes, foi taxativo: “Ele não pode renunciar sem que a política tenha um nome de consenso”.

A avaliação majoritária é de que a centro-direita precisa urgentemente de um nome para a eleição indireta a fim de minimizar o crescimento dos decibéis das ruas em torno das diretas. O próprio líder do governo, Romero Jucá, segundo fontes, está em busca de um plano B, caso a contra ofensiva de Michel Temer, desqualificando o delator e o próprio Ministério Público, não tenha êxito no STF. O nome citado por Jucá é o do ex-ministro Nelson Jobim.

O presidente Michel Temer teria concordado em renunciar assim que for oferecida uma solução pessoal para evitar a prisão.

Uma fonte foi categórica: “Michel renuncia quando tiver solução pra ele”

Até lá tenta ganhar oxigênio tentando fidelizar uma base em frangalhos e com ações na Justiça. Cogitou-se, nas conversas do final de semana, asilo politico em algum país vizinho e até mesmo um indulto.

O enredo, ainda embrionário, que está sendo trabalhado nos bastidores era o seguinte: manter o mandado do senador Aécio Neves, viabilizar Gilmar Mendes no colégio eleitoral e este, eleito, se empenharia para encontrar a tal saída para Michel Temer. Mendes, registre-se, é o ministro que mais confronta a Lava Jato e é respeitado por sua coragem em todos os temas.

O item vulnerável desta equação, entretanto, é a tentativa de blindagem a Aécio no Senado, que já decidiu recorrer de seu afastamento ao STF. Gilmar Mendes era o nome mais forte no final de semana. Enquanto Rodrigo Maia ainda tenta refazer a ponte com senadores para se viabilizar, Tasso Jereissati também se colocou como candidato.

A semana decisiva será de estresse máximo para o governo e o desfecho da crise que paralisou o País a partir das gravações, filmagens e delações dos executivos da JBS. O presidente Michel Temer, que está por um fio, se agarra ao jurídico (validade ou interferência nas gravações). A estratégia de pedir a suspensão da investigação (antes ele pediu pressa) é arriscada. Se o STF mantem a investigação o fim será decretado pelo pleno do STF e os partidos abandonam o presidente.

A promiscuidade dos diálogos, o braço direito do Presidente (que pode negociar “tudo”) correndo com malas de dinheiro, o embolso de R$ 1 milhão na campanha de 2014, o tráfico de influência, os mensalinhos para amigos e assessores, a venda de cargos não serão apagados. Todos estes temas, igualmente graves, foram ignorados no segundo pronunciamento presidencial neste sábado (20-05).

A mesma perícia que sustentou edições ou interferências afirmou que nos trechos mais comprometedores não houve edição. Os que se referem a Eduardo Cunha e a compra de juízes e procuradores. Relevante frisar que, neste ponto específico, manifestações oficiais de Michel Temer reconheceram o teor desta conversa sobre o procurador e os juízes, mas que o presidente atribuiu a “fanfarronice de um falastrão”. Não fez nada para investigar o delito. É uma autoincriminação. O próprio perito, o laudo e o programa utilizado para a análise também estão em cheque.

A ampulheta jurídica é analógica e o timing político é digital

Contestações jurídicas demandam tempo e contestações, enquanto as soluções políticas, por pressões difusas, são mais instantâneas. Na gravação dos ex-senadores Delcidio Amaral não havia flagrante, mas o conteúdo se sobrepôs à questão jurídica. Ele foi preso e cassado. Os áudios de Lula e Dilma foram anulados posteriormente, mas Lula não tomou posse no ministério e Dilma foi cassada.

A governabilidade derreteu e o presidente, acossado, está perdendo aceleradamente sustentação no Congresso, única âncora do governo. A debandada política, os protestos de rua , a oposição da maior organização de comunicação do Pais, que não vai tirar o pé do acelerador até derrubar Michel Temer e a OAB conformam uma equação demasiadamente complexa e poderosa perante o quixotismo voluntarioso de Temer.

Deixe uma resposta