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Governo avança, mas negociações com congresso continuam muito difíceis

Governo avança negociações congresso continuam muito difíceis

A aprovação das reformas no Congresso Nacional continua a exigir do governo a administração de uma crise quase diária. Superado o exacerbado oposicionismo do líder do PMDB no Senado, o governo corre atrás do tempo perdido a fim de viabilizar sua agenda ainda no primeiro semestre.

Para tanto sugeriu aos senadores do PMDB alterações na reforma trabalhista via Medida Provisória. Essa modalidade tem resistência no PSDB e também no PSDB. Renan Calheiros quer as modificações feitas através de emendas no Senado Federal. As modificações obrigariam o retorno do projeto ã Câmara dos Deputados.

A postura dos senadores não abranda a desconfiança dos deputados que antecipam muita dificuldades de aprovação da reforma trabalhista em um segundo turno na Câmara dos Deputados. Deputados e lideres continuam relembrando o desgaste vivenciado por eles na terceirização engavetada pelos senadores e condicionando a aprovação da previdência à chancela dos senadores na trabalhista.

A reforma trabalhista segue sendo tratada entre os deputados com uma peca de resistência antes de avançar nas mexidas da previdência. O deputado Beto Mansur, escalado pelo ministro Eliseu Padilha para coordenar o mapeamento dos votos em favor da reforma da previdência, reconhece o complicador, afirma que hoje o governo tem 270 votos e que é imprescindível o fechamento de questão pelo PMDB.

O líder do partido, Balei Rossi, recolheu as assinaturas mínimas, mas elas expressam o tamanho da dissidência entre os peemedebistas. Outro empecilho ao fechamento de questão, cobrado pelos demais aliados, está na resistência dos senadores. Não apenas o líder do PMDB, Renan Calheiros, mas também o presidente do Congresso se opõe à iniciativa. Eunício Oliveira comentou com aliados nesta semana que não há precedentes no partido no fechamento de questão.

Outro alerta dado pelo aliado Eunício Oliveira foi quanto ao calendário. Ele transmitiu a interlocutores do governo um acordo tácito da direção do Senado quanto a manter o recesso do meio do ano. O senador Eunício Oliveira disse que se a reforma da previdência chegar ao Senado até o dia 10/6 é possível esgotar o assunto antes do recesso. Caso contrário, apenas no segundo semestre.

O presidente do Congresso também fez outra advertência ao governo. Não pretende atropelar o processo de discussão (audiências púbicas) em torno da reforma trabalhista. Eunício pretende votar a trabalhista na última semana de maio e descartou enfaticamente submeter ao plenário eventuais pedidos de votação em regime de urgência. Eunício fez um acordo com a oposição neste sentido e espera vê-lo respeitado.

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