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Temer consegue 80% da base em votação da reforma trabalhista

Temer consegue 80% base votação reforma trabalhista

Após uma maratona de 17 horas de sessão (encerrada as 2;30 desta quinta-feira, dia  27-04), o governo conseguiu demonstrar força e aprovar por 296 votos a 177 a reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. O governo também conseguiu derrotar grande parte das emendas propostas pela oposição. 

Entre os aliados ressalte-se que o Palácio do Planalto conseguiu conter as recorrentes defecções e perto de 80% da base (355 deputados governistas presentes) votaram com a orientação do governo. As maiores divergências, ja esperadas, foram no PSB, PROS e PHS. Os mais leais foram DEM e PSDB.

A radiografia do voto mostra que a solução do governo para aprovar a reforma da previdência, como se sabe está na sua própria base. Veja abaixo, por ordem de grandeza das bancadas aliadas, os percentuais de infidelidade na base governista considerados os votos contrários e ausências.

No PMDB, com 64 deputados, 19% não seguiram a orientação do governo.  Já no PP, com 47 cadeiras, as defecções atingiram 27%.  Entre os tucanos, com 47 deputados, a taxa de infidelidade foi de apenas 9%. No PR, com 39 assentos, 39% votaram contra o governo. Entre os 37 deputados do PSC, 21% discordaram da proposta.

Entre as forças médias da Câmara, o PSB, com 35 deputados, apresentou um índice de infidelidade de 58% (abaixo das votações anteriores, quando a média foi de 65%). O DEM, com 30 cadeiras, apresentou taxa zero de infidelidade. O PRB (23 cadeiras) exibiu uma taxa de 34% de traição.

Já entre as siglas menores  27% do PTB (18 assentos) discordaram da orientação. O solidariedade (14 representantes) apresentou o segundo mais alto percentual de infidelidade com 64%.  PSC (10 membros) apresentou uma dissidência de 20%, PPS (9 deputados) 33%, PHS (7 parlamentares), 71% (a mais alta) e no PV (6 representantes ), as defecções somaram 33%.

A análise numérica sobre governistas que votaram contra a reforma da trabalhista indica que o governo tem um universo de cerca de 80 deputados de legendas aliadas junto aos quais pode trabalhar para garantir os votos da Previdência. E uma tarefa facilitada pela leitura que se tem, a partir da reforma trabalhista, de que o Palácio do Planalto recuperou a condução do processo político-legislativo.

Fatores exógenos, como a dimensão da greve geral desta sexta-feira (28-04), novas denúncias da Lava Jato e desdobramentos do TSE podem estremecer essa espiral positiva do governo.

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