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Lógica política supera argumentos econômicos

Lógica política supera argumentos econômicos - Equilibre Analises

Os  pontos que serão flexibilizados pelo relator da Previdência na Câmara, anunciados pela mídia nesta quinta-feira (06-04), são os mesmos pormenorizados na última quarta-feira (29-03) na audiência com o deputado Arthur Maia. Torna-se público, pelo relatório e pelas declarações do presidente Michel Temer, que o governo trabalha com a perspectiva de aprovar a reforma mínima, tentando preservar o piso para aposentadoria.

O recuo, anunciado em bloco, é consequência da rodada de conversas do relator com os partidos e do mapeamento de votos feitos pelo jornal Estado de São Paulo, que mostram insuficiência de votos. De outro lado demonstra a prevalência da lógica política em detrimento dos argumentos da economia. A área econômica, derrotada, insistia em reforma mais ampla, conforme declarou várias vezes o ministro Henrique Meirelles.

Dessa forma, regra de transição, aposentadoria rural, acúmulo de pensões, benefícios continuados e aposentadorias especiais serão abrandadas para permitir aprovação da reforma. O relator mantém para a próxima semana a perspectiva de entrega do parecer e o governo corre contra o tempo para agilizar a votação. As concessões indicam que o governo perdeu o controle de parte de sua base e foi obrigado a ceder a pressão .

No horizonte ha ainda mais problemas com a bancada nordestina no Senado e o PMDB que promete não aceitar a comissão de sistematização de senadores proposta pelo líder do governo, Romero Jucá. O líder do partido, Renan Calheiros, tem sido procurado por interlocutores do governo para baixar o tom. O senador já enviou sinais que pretende arrefecer e está disposto  conversar mais adiante com o Presidente Michel Temer. Mas antes de fumar o cachimbo vai a sindicatos combater a reforma. A Folha de São Paulo publica nesse domingo um artigo do senador criticando a reforma.

O saldo da semana é equilibrado para o governo. Livrou-se do TSE, a Lava Jato virou sua artilharia para o PT (João Santana), mas na Câmara o governo não emplaca o socorro aos estados e o mapa da Previdência da pesquisa do Estado de São Paulo mantem a luz amarela no Palácio do Planalto.​Governo não consegue sair das cordas.

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