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Condenação de Cunha pode interferir no governo?

Condenação Cunha pode interferir governo - Equilibre Analises

No último encontro que manteve com o líder do PMDB no Senado, no começo de março, o presidente Michel Temer teria dito que se sentia chantageado por Eduardo Cunha, mesmo preso. A confidência de Temer foi retransmitida por Renan Calheiros a vários senadores, que confirmaram ter ouvido a expressão “chantageado”. Em entrevistas posteriores ao encontro, o líder do PMDB utilizou várias vezes a mesma expressão

A ascendência de Cunha no governo Temer está demonstrada nos inúmeros cargos importantes que o ex-todo poderoso da Câmara mantém e nomeou no atual governo. Os aliados de Cunha no primeiro escalão são o ministro dos transportes, Maurício Quintella, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio,  os dois líderes de governo (Câmara e Congresso), Aguinaldo Ribeiro e André Moura, além o subchefe da Casa Civil e indicado para vaga do CNMP,  Gustavo Rocha.

Cunha também tentou ampliar seus tentáculos para além do executivo e, logo após a visita no presídio do deputado Carlos Marun, foi esboçado entre os deputados aliados de Cunha um documento para degolar Romero Jucá da Presidência do PMDB por envolvimento na Lava Jato. Outra ação de Cunha, depois do depoimento de Jose Yunes que balançou Padilha no cargo, foi tentar emplacar o subordinado Gustavo Rocha na Casa Civil. Ambos foram abortados pela reação do PMDB do Senado.

Outra iniciativa de Cunha que procurou constranger e intimidar Michel Temer foram as 19 perguntas que a defesa do deputado cassado endereçou ao presidente da república. As perguntas de Cunha insinuam que, o agora presidente, teria articulado na Caixa Econômica Federal, junto como Moreira Franco, financiamentos  de projetos irregulares que estão sob investigação da Lava Jato

Esse breve histórico, acompanhado do temor verbalizado por Temer, segundo relato de Renan Calheiros, explica o  receio que o Palácio do Planalto passou a conviver após a condenação de Eduardo Cunha. Não só o Palácio, mas metade da Câmara dos Deputados treme com a possibilidade de uma delação premiada de Eduardo Cunha, conhecido pelo temperamento explosivo.

Uma das primeiras linhas de investigação do Ministério Público, nos primórdios da Lava Jato, é que Eduardo Cunha comprou votos dos deputados para a eleição à presidência da Câmara com recursos desviados do esquema investigado. Nos bastidores do Congresso é corriqueiro ouvir que Cunha e Temer tinham negócios juntos. Agora condenado, o fantasma volta a assombrar e Cunha pode se tornar o homem bomba que todos temiam.

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