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Partido de Temer, PMDB do Senado vira problema para o governo

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Com a reforma da Previdência quase totalmente delineada na Câmara dos Deputados, o governo volta suas atenções para o Senado Federal. A maior fonte de crise tem sido o PMDB (22 senadores) que se queixa de não estar sendo ouvido pelo Palácio do Planalto. A mais recente crise foi na terceirização, mas elas promete se estender durante a votação da previdência.

Logo após a nota de tom oposicionista da bancada do PMDB no Senado (contra a terceirização aprovada na Câmara) os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco e o líder Romero Jucá correram para fazer uma pajelança em torno do líder do partido, Renan Calheiros, na noite da terça-feira (28-03) alertados pelo telefonema do senador Waldermir Moka.

Se a reunião da bancada, que decidiu por uma nota belicosa, foi tensa, mais tenso foi o encontro entre o núcleo do Palácio do Planalto e o amotinado Renan Calheiros, que já recusou dois convites para discutir reformas com Michel Temer e há três dias vinha se esquivando uma conversa solicitada por Eliseu Padilha.

O governo ponderou que Renan Calheiros deveria baixar o tom para não contaminar os outros partidos durante as reformas e a agenda microeconômica em gestação, como a  venda de imóveis da união, venda de terras para estrangeiros e a própria terceirização, para qual o governo ensaia uma MP criando as salvaguardas ausentes no projeto da Câmara e também um seguro para financiar imprevistos econômicos.

Padilha, segundo testemunhas do diálogo, insistiu que o aliado rebelde falasse com o presidente Michel Temer. O líder retrucou dizendo que já falou e o presidente “não escutava”. Renan Calheiros não topou o armistício e aumentou o tom em forma de recado. Disse ao líder Romero Jucá que o “PMDB é governista, mas não tem dono, o Temer não é dono do partido”, esbravejou o senador segundo senadores.

As tentativas frustradas de uma conciliação com seu próprio partido, mostram que o governo terá muitos problemas para enfrentar no Senado em todas as matérias, particularmente na reforma da previdência. O governo acena com vários novos recuos na busca de uma grande conciliação na base envolvendo Câmara e Senado quanto ao conteúdo e o cronograma da reforma, mas os fatos desmentem o otimismo palaciano.

É previsível que, além da previdência, o próximo embate opondo o conflagrado PMDB do Senado e o governo ocorra na medida provisória para reonerar as folhas de pagamento. Aumento de tributos, reformas impopulares e projetos que a população conhece e assimila fácilmente são os temas preferidos dos políticos que buscam a sobrevivência em 2018.

É oportuno rememorar ainda que Renan Calheiros, quando presidente do Congresso devolveu uma medida provisória do governo Dilma reonerando folha de pagamento. Arguiu, então, que MPs não podem aumentar de impostos. Ele não tem mais esse poder de devolver MPs, mas há um precedente no Congresso sobre o tema e a crise, ao contrário supõe o governo, contamina mais da metade dos senadores do PMDB.

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