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Parlamentares experientes acreditam em aprovação de idade mínima

Parlamentares experientes apostam idade mínima - Equilibre Analises

A cada dia o governo perde a capacidade de rearticular sua base congressual para aprovar a reforma previdenciária mais ampla. Cristalizou-se no Congresso a convicção de que a reforma será pequena. Vários parlamentares experientes arriscam apenas a idade mínima. Isso porque a precipitação da sucessão presidencial e os crescentes protestos corporativos nas redes sociais reduzem as chances de conquistar novos  aliados. A radiografia dos votos na terceirização mostrou a carência de votos do Planalto para a PEC.

As hesitações do governo Temer são conhecidas e os recuos acabam por afetar a fidelidade dos aliados. Poucos deputados estão dispostos a defesas enfáticas da íntegra de uma reforma que vem sendo desidratada por recuos.  Após o vai e vem na estadualização, o governo também já acenou para outra concessão na aposentadoria rural para as mulheres. As exceções murcham o embalo com a reforma e desmobiliza a base.

Com os afrouxamentos o governo tenta modular uma reforma palatável, aquela que os parlamentares estão dispostos a votar para não arriscar a reeleição em 2018. Os políticos enrolados em investigações buscam superexposição nas redes sociais com mensagens contrárias às reformas. Arriscam um reposicionamento de imagem para 2018. O mais novo foco de crise é bancada do PMDB no Senado se opondo à terceirização ampla.

Além do receio dos deputados em chancelar uma proposta impopular, a eleição presidencial já começa a entrar no visor dos políticos e ameaça a reforma no conteúdo e no cronograma. As mais recentes declarações de aliados do governo (Eliseu Padilha e Rodrigo Maia), estão resgatando a necessidade de aprovação ainda no 1 semestre. Os líderes mais alinhados com  o governo já alertaram que o prazo de validade do atual governo é o segundo semestre. Depois é cumprir tabela.

A sucessão presidencial de 2018 está totalmente aberta, mas o processo foi antecipado por duas candidaturas. A de Luiz Inácio Lula da Silva e do tucano Geraldo Alckmin, assustado com o crescimento do nome de João Dória em rodas de empresários e pesquisas de opinião pública.

As mexidas no tabuleiro presidencial acabam por ofuscar o governo e, a médio prazo, forçam movimentos políticos em direção a novos pólos de poder esvaziando o presidente Temer, cuja expectativa de renovar o poder é próxima de zero.

Existem outros fatores recorrentes de instabilidade, como o julgamento do TSE, marcado para começar na próxima semana. Mesmo com tantas hipóteses no noticiário, o mais provável é que o julgamento seja interrompido com contestações jurídicas e vistas (sem prazo regimental determinado) e seja concluído depois da posse de dois novos ministros, em abril e maio. O TSE não deve cassar o Presidente.

Resumindo: o tempo, o TSE, o calendário eleitoral e as defecções na base jogam contra Michel Temer que deve permanecer no cargo, mas não demonstra ter fôlego suficiente para controlar o processo político e legislativo à medida que o tempo passa.

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