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Relator adianta trabalho no TSE, mas governo conta com Gilmar

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Como de hábito o governo Michel Temer inicia a semana pressionado. Com o alívio das enfraquecidas manifestações no domingo, a tensão se volta para o TSE, onde o relator concluiu seu trabalho e pediu pauta para julgamento. É certo que o relator pedirá a cassação de toda chapa, mas o Palácio do Planalto conta com um poderoso aliado no tribunal, Gilmar Mendes.

O presidente do TSE é um dos conselheiro mais frequente de Michel Temer e é o senhor do tempo para pautar o julgamento.  Gilmar Mendes é também um defensor público da tese de separação das campanhas e já mencionou precedentes em entrevistas recentes. Outro fator que pode decidir a sorte de Michel Temer é a saída de 2 ministros nos próximos dias. Em 16 de abril, deixa o tribunal o ministro Henrique Neves e no dia 5/5 sai a ministra Luciana Lóssio. Seriam votos decisivos escolhidos pelo próprio Michel Temer. Os recursos em caso de condenação podem ser feitos no próprio TSE e depois ao STF.

As movimentações  de atores que não pertencem diretamente ao universo político também preocupam o Palácio do Planalto. Um alto executivo das organizações Globo circulou na semana passada em gabinetes poderosos em Brasília com uma nova tese: a eleição pelo colégio eleitoral da atual presidente do STF, Carmen Lúcia que, na semana passada, figurou vários dias como  manchete dos sites de notícias do grupo. A tese teve pouca aderência e não empolga. No final do ano passado esse movimento existiu e o nome era FHC. A manobra não foi adiante porque foi publicamente denunciada no  plenário do Senado.

Na reforma trabalhista que começará a ganhar musculatura em breve há ameaças do relator em acabar com  a contribuição sindical obrigatória. O imposto arrecada algo perto de R$3,5 bi/ ano e o governo fica com 20% da receita deste imposto. As centrais sindicais também serão contrárias e é muito difícil prosperar no Congresso o corte do imposto sindical.

Para fechar as contas o governo continua fazendo contas. Além do contingenciamento, como se sabe  é praticamente certo o aumento de impostos. O cardápio inclui reonerações de folha e aumento de PIS e Cofins. O governo tem preferência por tributos que não dependam do aval do Congresso. Os sinais do Parlamento na votação da terceirização não foram bons e por essa razão o governo está fazendo uma sucessão de reuniões com aliados para cobrar fidelidade da base. Temer também já optou por sancionar a terceirização aprovada na Câmara e não aguardar a versão abrandada do Senado.

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