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Terceirização mapeia base de Temer

Terceirização mapeia base Temer - Equilibre Analises

A radiografia dos votos da sessão que aprovou a terceirização ampla, geral e irrestrita acendeu a luz amarela no governo quanto a viabilidade da reforma da previdência.

A reforma não está condenada, mas o risco político subiu e obrigará o governo a repensar se faz outras votações importantes para testar o nível de fidelidade da base como, por exemplo, a reforma trabalhista. O teste da terceirização assustou.

Mais do que a obviedade de que o governo não possui os 308 votos para aprovar a PEC (foram 231 votos sim), é inafastável a análise minudente, com o índice de fidelidade da base aliada e contabilizar, não apenas os votos contra, mas também as ausências e abstenções.

Metade do PMDB e do PR abandonou Temer na votação. No PSB quase 2/3 ficaram contra a orientação do governo. No PPS de 8 deputados, apenas 3 alinhados com o Palácio. Houve defecções em todas as legendas indicando que a traição pode surpreender. A oposição (PT, PDT e PCdoB) votou em bloco contra.

Na ponta do lápis, considerando apenas os partidos representados no ministério (PMDB, PSDB, PR, PR, PSD, PSB, DEM, PRB, PTB, PS e PV) o governo soma 353 deputados (68% dos 513) 65 senadores (80% dos 81). Nesta conta, o governo não contou com os votos de 123 deputados. Levando-se em conta outras legendas menores, que não têm ministérios, o governo perdeu o controle de 174 deputados.  

A fisiologia não garante resultados porque grande parte dos deputados já iniciou um reposicionamento de imagem para eleição do ano que vem. Desgastados pela Lava Jato, os políticos começam a assumir posições mais populares para levar para campanha. Isso atinge também a reforma da previdência.

O PMDB, maior partido da base, possui 64 deputados. Votaram 41 (10 contra e 33 favoráveis). Ausentes 21 parlamentares. A taxa de fidelidade (votos sim) foi de apenas 48%. Essa é a pior sinalização.

Se o partido do presidente não assume desgastes, por qual motivo os demais fariam arriscando a própria reeleição em nome de um presidente que não tem nenhuma expectativa de renovar o poder?

No PSDB são 47 deputados e votaram 43 (11 contrários e 32 a favor) e 4 faltaram. Uma taxa de fidelidade de 68%.

No PSB são 35 deputados. 22 votaram (12 a favor e 10 contrários e 3 ausências). O índice de fidelidade ao governo foi de 34%.

No PR são 39 deputados. Votaram 32 (12 a favor e 10 contra e 7 ausentes). O percentual de compromisso com o governo também foi muito de 56%.

No democratas  são 29 deputados. Votaram 23 (16 favoráveis e 7 contrários. Ausentes 6 deputados). 55% de lealdade ao governo

No PP o quadro de defecções foi uma das menores. São 47 deputados. Votaram (33 a favor e 7 contrários). A taxa de lealdade foi de 85%.

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