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CPI pode atrapalhar reformas

CPI pode atrapalhar reformas - Equilibre Analises

Por mais que invista na marquetagem e em maratonas de reuniões com ministros, o governo segue pressionado e refém do tripé operação Carne Fraca, expectativa dos conteúdos da Lava Jato e as críticas do Congresso à reforma da previdência. Da reunião de Padilha com ministros para colocá-los no corpo a corpo para pedir votos saiu mais um discurso terrorista (Brasil tornar-se uma nova Grécia) e isso não agrada ao Congresso.

Além do revés econômico, a Carne Fraca ainda terá mais desdobramentos (novas gravações) que inflarão as propostas de CPI. CPIs sempre afetam a rotina do parlamento e sua agenda legislativa. Apesar do recorrente otimismo do Presidente Rodrigo Maia, haverá reflexos na tramitação de projetos com prejuízo para previdência e reforma trabalhista, prevista para primeira quinzena de abril.

Na previdência, a cada dia que passa, crescem as críticas à proposta original e o governo está perdendo a capacidade de reagir. O noticiário dos últimos dias sinalizam a consolidação de mudanças e alguns pontos o governo deve mesmo  se contentar com uma reforma mínima. A partir desta terça-feira (21-03) as centrais sindicais contrárias à reforma iniciam a ofensiva publicitária contra proposta em todos os jornais de circulação nacional e o ministro do Planejamento vai debater o tema na Comissão Especial as 14 hs.

O mais recente complicador é a CPI no Senado, cuja estratégia é apenas retardar a votação. Com as assinaturas além das necessárias (46), restará aos líderes governistas tentar retirar assinaturas, o que é improvável, ou não  indicar os integrantes e contar com a resistência do presidente Eunício Oliveira, que será pressionado diariamente a fazer as indicações em substituição aos partidos.

Ponto inesperado a favor do governo, foi a declaração da aposentadoria precoce de Carmem Lúcia. A presidência do STF iria até setembro, mas ela antecipou para o começo do ano. Abre mais uma vaga para indicação de Michel Temer desequilibrando o julgamento da Lava Jato, inclusive seu ponto mais sensível, que hoje divide o tribunal: a criminalização do caixa 2. ​

Na Câmara pode ser votado hoje o projeto que autoriza a terceirização em todos os setores. Como já foi apreciado pelo Senado, caso aprovado vai direto para sanção presidencial.

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