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JOGANDO A TOALHA

JOGANDO A TOALHA - Equilibre Analises

Na contra-mão de seu equivalente no Senado, o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi, ao lado do presidente Eunício Oliveira, é um dos líderes que mais enfaticamente defende internamente a aprovação da reforma com o conteúdo enviado pelo governo.

Apesar da lealdade e empenho, o líder do PMDB jogou a toalha esta semana. De acordo com interlocutores próximos a ele, o deputado admitiu que a semana que se encerra foi negativa para a reforma e complicou sua aprovação. O diagnóstico se baseia nos movimentos políticos, manifestações de rua e declarações de lideranças estratégicas influenciando no aumento da resistência na base aliada.

O líder do PMDB na Câmara interpretou que a dilação do prazo para emendas é um sinalizador ruim, dado que era um prazo inexistente. O prazo se encerra nesta sexta-feira (17-03) e até agora foram 146 emendas. A maior parte se refere a aposentadorias de professores (19), seguida por aposentadoria rural e regras de transição (18 cada), atividades de risco (16) e idade mínima (14).

​“Não vai aprovar integral, mas alguma coisa passará. Mas não vai passar do jeito que o mercado financeiro espera”, alertou Baleia Rossi no desfecho da semana, segundo pessoas muito próximas ao líder peemedebista

CONVERGÊNCIA

O diagnóstico de Baleia, um dos políticos mais próximos de Michel Temer, coincide com a avaliação dos mais importantes líderes do Congresso, tanto da Câmara quanto do Senado. Também converge com o que ouvimos no Palácio do Planalto de um dos assessores mais próximos do Presidente sobre “aprovar o essencial e esquecer os acessórios”.

O relator Artur Maia vai apresentar o relatório na primeira semana de abril tentando aproximar o sentimento médio dos deputados e o desejo de preservar a espinha dorsal da proposta enviada pelo governo federal. Isso significa que já deve sugerir flexibilizações na votação da Câmara.

REGRESSO AMARGO

A semana mostra ainda que o retorno de Padilha, homem-forte do governo e detentor das planilhas dos cargos e verbas meio a turbulência da lista de Janot, não foi suficiente para rearticular o quadro de entropia na base aliada e, por essa razão, o governo intensificará as reuniões na próxima semana para preservar ao máximo a reforma.

OXIGÊNIO CURTO

O governo ganha fôlego e credibilidade na relação com o Congresso em razão da pauta positiva no encerramento da semana: a reclassificação do Brasil de negativo para estável, o nível de empregos ascendente em fevereiro e o sucesso dos leilões dos 4 aeroportos, alardeado com previsível fracasso.

No radar da próxima semana entra o anúncio do tamanho do rombo nas contas e as alternativas para cobrir o buraco, agravado pelo revés judicial quanto ao ICMS. Segundo fontes do governo o aumento da CIDE e a reoneração da folha foram descartadas diante da resistência no Congresso. A solução pende mais para o aumento do PIS/Cofins e IOF.

 

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