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Lista de Janot e Reforma da Previdência dominam Brasília

Senado aprova PEC limita decisões monocráticas STF

Brasília continua congelada à espera da nova lista de inquéritos que deve ser encaminhada pelo procurador-geral nas próximas horas ao STF. O grau de ansiedade e estresse aumenta com os adiamentos. A lista sairia na sexta-feira (10-03), foi empurrada para esta segunda-feira (13-03) e foi novamente adiada para esta terça-feira (14-03) dado o volume de material.

São muitas as especulações sobre prováveis nomes, exatamente como ocorreu na primeira listagem. Mas é praticamente certo de que nela estarão os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco, os senadores Aécio Neves, Renan Calheiros e Romero Jucá.

Assim que a lista se tornar pública viveremos dias de pauta monotemática. Com tantos nomes, especula-se em torno de 90 políticos, a lista certamente será diluída pulverizando as defesas e desgastes dos citados. Após o impacto inicial a mídia irá dar mais relevo para os integrantes do governo e os políticos com postos mais reluzentes, como ministros de Estado.

A profusão de nomes e a carga nos dois maiores partidos do Congresso (PMDB e PSDB) também servirá de dínamo para embalar propostas tratando de anistia de caixa 2, caixa 1. O PT também incorporou a tese de dissociar o caixa 2 dos crimes de corrupção e lavagem O assunto de descriminalizar o caixa 2 foi tratado na casa do presidente da Câmara no final de semana e receberia um esmalte de reforma politica.

Estiveram lá os senadores Eunício Oliveira, Aécio Neves, Renan Calheiros, José Agripino e os deputados Aguinaldo Nogueira, Pauderney Avelino  e os ministros Fernando Coelho (Minas e Energia), Moreira Franco (Secretaria de Governo) além de Gilmar Mendes do STF.O próprio presidente Michel Temer, pressionado pela Lava Jato, está disposto a ser protagonista do tema convocando reuniões formais nos próximos dias envolvendo os 3 poderes de modo a institucionalizar uma saída para a crise.

Além da lista de Janot, os políticos e governo estão estressados com a reforma da previdência. Depois de brigar, fazer as pazes com o presidente Michel Temer, o líder do PMDB  no Senado anunciou em seu estado, durante uma reunião com prefeitos alagoanos, que a reforma “como está não passa no Senado”. Aécio Neves, na mesma linha, começou a dar declarações de que a reforma não é intocável.

Vai se criando no Senado um caldo mudancista da reforma. Renan Calheiros não tem hábito de falar sozinho. Sempre vocaliza o sentimento dominante de seu partido no Senado. A orientação do Palácio, por ora, é preservar o máximo que puder da proposta original. O texto já recebeu 65 emendas  e o ânimo já revelado pelo Senado em propor alterações acaba por contaminar também os deputados. Eles tendem a abrandar o texto para evitar desgastes eleitorais.

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