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A espera de Janot

A espera de Janot - Equilibre Analises

A semana em Brasília será marcada pela segunda lista de inquéritos do procurador-geral, Rodrigo Janot. A relação deve ser divulgada nesta segunda-feira (13-03), mas os sigilo das delações premiadas relativas à Odebrecht serão conhecidos aos poucos a partir dos próximos dias, já que o STF orientou os jornalistas a deixarem HDs externos no Tribunal.

As duas ações têm potencial para congelar as agendas do Congresso e do próprio governo que tentarão mostrar normalidade. Constarão da lista os líderes do PMDB, Romero Jucá e Renan Calheiros, Áecio Neves e Aloisio Nunes do PSDB, além de outras estrelas de primeira grandeza da política nacional.

O ministro Eliseu Padilha, um dos nomes prováveis na lista ao lado de Moreira Franco, reassume hoje sua cadeira no Palácio do Planalto depois de se recuperar de cirurgia na próstata. No último final de semana vazou mais uma delação contra o ministro no âmbito da Operação Lava Jato. Padilha fará nesta segunda-feira uma reunião com líderes em torno da reforma da previdência.

O ex-executivo da Odebrecht, José de Carvalho Filho afirmou ter tratado diretamente com Padilha o pagamento de R$ 5 milhões. É mais um complicador na frágil situação do ministro, mas o presidente Michel Temer está disposto a mantê-lo, conforme confidenciou ao líder do PMDB na semana passada.

Se o Congresso não ficar paralisado pela divulgação das delações da Odebrecht, apreciará matérias da agenda econômica. Entre elas a nova rodada da repatriação  e a PEC 61 de 2015, que permite emendas diretas ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal.

Já se espera para esta semana também gestos mais concretos dos líderes políticos em busca de uma legislação promovendo algum tipo de anistia em relação ao caixa 2 e também ao caixa 1, depois do precedente da segunda turma do STF no julgamento do caso do Senador Valdlir Raupp.

Tentando demonstrar normalidade no governo, o ministro Henrique Meirelles dará sequência as conversas sobre a reforma da previdência com os partidos aliados. O ministro se reunirá na terça-feira (14-03) com a bancada do PSB na Câmara, partido que tende a fechar questão contra a reforma. Nesta terça encerra-se também o prazo para apresentação de emendas à propostas. A maior parte das emendas apresentadas até agora é de autoria de aliados do governo.

As centrais sindicais (CUT, CTBm UGT, Força Sindical, Nova Central e CSB) e outro movimentos sociais, como os da Frente Brasil Popular, convocaram o dia nacional de luta para esta quarta-feira (15-03). Estão previstas manifestações em diversas cidades do país. Os protestos serão contra a reforma da previdência e trabalhista.

Durante esta semana também o ex-presidente Lula dará os primeiros passos para lançar sua candidatura à presidência. Nesta segunda-feira (13-03), ele participa da abertura do Congresso de trabalhadores rurais no centro de convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Ainda na capital, na terça-feira (14-03) Lula terá depor em processo onde é acusado de obstrução da justiça. Na sexta-feira (17-03) o ex-presidente visitará as obras de transposição do São Francisco como um ato de campanha antecipada.

Na quinta-feira  (16-03),  governo promove leilão de 4 aeroportos (Florianópolis, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza). O investimento mínimo projetado pelo governo, para os 4 aeroportos juntos, é de R$ 6,61 bilhões durante o prazo de concessão, que é de até 30 anos.

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