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A Sombra do Poderoso Cunha

A Sombra do Poderoso Cunha - Equilibre Analises

O fantasma do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, continua assombrando o governo Michel Temer. O espectro não espanta apenas no processo, mas também deixa insone o governo por causa de um ensaio de rebelião por parte dos senadores do PMDB.

Cerca de 20 senadores se reuniram na noite da terça-feira (07-03) para criticar a decisão do STF em relação a Valdir Raupp, o Presidente da República, a reforma da previdência, o PSDB, mas principalmente as pressões de Eduardo Cunha, cuja ameaça de delação estremece o mundo político. De acordo com fontes presentes ao encontro, o tom foi entre enfático  e lamuriante. Os mais exaltados foram os senadores Jáder Barbalho, Eduardo Braga e o líder Renan Calheiros. Grupo que sempre confrontou Eduardo Cunha no Congresso.

​Toda irritação do PMDB do Senado com os tentáculos de Eduardo Cunha foi transmitida em almoço nesta quarta-feira (08-03) pelo líder do partido ao ministro Moreira Franco, um dos últimos escudeiros de Michel Temer no Palácio do Planalto. Sem Padilha para apaziguar os ânimos até o início da semana que vem, o Presidente terá de administrar pessoalmente outra briga do próprio partido, cuja marca é o eterno racha entre grupos.

Apuramos junto às nossas fontes que Michel Temer ligou para o líder do PMDB no Senado e também o convidou para jantar. Renan Calheiros, como já fizera outras vezes, se recusou a atender as ligações e desdenhou a bandeira branca estendida por Temer dando mais gás à crise.

​PMDB EM PÉ DE GUERRA

 

​Segundo interlocutores, Renan Calheiros durante a reunião, muito irritado, criticou o fato de Cunha ainda mandar no governo e revelou que o nome escolhido pelo Presidente Michel Temer para o ministério da Justiça (José Bonifácio Andrada)  fora vetado pelo próprio Eduardo Cunha.

Segundo os interlocutores Cunha indicou Osmar Serraglio: “Quando Serraglio seria ministro da Justiça? Nunca. O que há é uma briga pra ver quem manda no governo. O Eduardo Cunha ou o PSDB. E nessa briga eu fico com o PSDB”, desabafou o líder da maior bancada do Senado, segundo as mesmas fontes. Outro nome que comprovaria a ascendência de Cunha no governo é o líder André Moura.

Outra manobra atribuída a Cunha pelos amotinados senadores do PMDB foi a carta elaborada por aliados do ex-presidente da Câmara (deputado Carlos Marun) pedindo a saída de Romero Jucá da presidência do PMDB. De acordo com um interlocutor houve uma revolta generalizada. Senadores disseram que Cunha ocupou o governo e agora quer tomar o partido.

​A PRIMEIRA VÍTIMA

 

A brigalhada por espaços de poder resvalará no cronograma da reforma da previdência. Os senadores presentes concordaram que haverá alterações quando a proposta chegar ao Senado, principalmente sobre o tempo de contribuição. Isso demandaria uma segunda votação na Câmara. Esse processo pode retardar em até dois meses o prazo estipulado por Temer, 15 de julho, jogando a decisão para o segundo semestre  com as eleições dominando a cena política.

​O RISCO DO EFEITO MANADA

 

​Diante de tantas turbulências, o governo teme que uma crise de grande magnitude no partido do presidente possa dar sinalização de afrouxamento para as demais legendas da base aliada. Quando o PMDB critica a reforma da previdência, independente dos motivos fisiológicos, os demais aliados se sentem menos compromissados e podem seguir o mesmo caminho para evitar desgastes eleitorais ou aumentar o preço da fatura. O PSB já emite sinais neste sentido.

​LISTA DE JANOT

 

​Entre esta quinta-feira (10-03) e amanhã o procurador Rodrigo Janot deve divulgar a nova lista de pedidos de investigação com base nas delações da Odebrecht. Há também grande expectativa quanto a quebra do sigilos de algumas delações. A lista será extensa e nomes de primeira grandeza do governo, como os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, devem constar da relação. A lista de Janot, o enfraquecimento de operados com Padilha e a rebelião do PMDB colocam muitas interrogações no calendário das reformas.

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