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A Ressaca do PIB

A Ressaca do PIB - Equilibre Analises

No segmento politico, até com mais intensidade do que ocorre na economia, os humores são fortemente afetados por componentes psicológicos. Aliados de Michel Temer no Congresso consideraram “trágicos” os números do PIB de 2016. De quebra os dados ofuscaram a ofensiva em prol das reformas, a posse de novos  ministros e a nova rodada de concessões. 

O tombo histórico foi tratado como outra “herança maldita”, mas importantes aliados do Presidente Michel Temer temem (sem trocadilho) que a piora na sinalização para futuro empurre os aliados para uma espiral de pessimismo quanto a sensível redução das potencialidades para 2017.

Há rumores dentro da própria equipe econômica, que já chegou aos ouvidos dos parlamentares com maior trânsito dentro do governo, de que as projeções indicam para mais recessão em 2017. O baixo astral se não for contido pelos animadores da economia tem potencial para contaminar a reforma da previdência.

A desconfiança quanto aos resultados econômicos pode aumentar e afetar negativamente a reforma da previdência, cuja sensibilidade para classe política é conhecida. O grau de fidelidade a proposta e rigor do texto da reforma está muito atrelado aos resultados da economia.

VAI AUMENTAR A PRESSÃO SOBRE MEIRELLES

 

Outro desdobramento será quanto a capacidade da equipe econômica. O chefe do bonde, Henrique Meirelles começou nesta terça-feira (07-03) o périplo que lhe foi cobrado pela base aliada na defesa da reforma da previdência falando do efeito “retrovisor” no PIB. Ouviu cobranças de peemedebistas quanto ao ritmo dos resultados da política econômica e seguirá pressionado no encontro que manterá nesta quarta-feira (08-03) com o PSD, PRB e PP, outras legendas aliadas. Meirelles insistirá que o pior já passou. Em que pese as projeções mais otimistas de analistas brasileiros e internacionais, o mundo político é mais ansioso, cobra resultados em ritmo mais acelerado e quer ver luzes à frente, não no retrovisor.

PRECEDENTE ALARMANTE

 

Além o anticlímax da economia, o julgamento do senador Valdir Raupp, ex-líder do PMDB, criou um precedente jurídico que vai alvoroçar a classe politica. A consequência imediata será a ressurreição da tese de anistiar o caixa 1 sem, por ora, afetar o cronograma das reformas. Não se trata de uma jurisprudência ainda, já foi analisada apenas por uma turma do STF e não pelo plenário. O assunto volta ao centro do noticiário nesta quarta-feira (08-03) em virtude da reunião da Executiva do PMDB, onde um grupo de deputados também tentará constranger o presidente Romero Jucá pedindo a saída do comando da sigla.

Rodrigo Janot e a força tarefa da Lava saem fortalecidos no Supremo pois foi vencedora a tese de que o político que recebeu doação declarada deve responder caso os recursos sejam ilícitos ou tentativa de lavagem de dinheiro. Nesse critério existem dezenas e dezenas de políticos investigados pela Lava Jato. No julgamento em si, será mais difícil a tarefa do Ministério Público para provar as alegações.

O estresse político promete aumentar bastante até a sexta-feira (10-03), data prevista para o anúncio dos novos inquéritos. Com o precedente aberto nesta terça-feira (07-03) é improvável que qualquer politico escape da abertura do inquérito, rebaixando quase que instantaneamente aqueles que detêm cargos no primeiro escalão do governo, como prometeu Michel Temer. 

SINAL AMARELO

 

Como esperado a decisão da segunda turma do STF provocou um pânico geral entre os senadores do PMDB. 20 deles se reuniram na noite desta terça-feira (07-03) para criticar acidamente a decisão do STF e discutir alternativas para evitar a criminalização das doações legais. Estavam presentes Jáder Barbalho (PA),  Garibaldi Alves (RN), Romero Jucá (RR), Marta Suplicy entre outros. Além do STF, Michel Temer foi duramente criticado pela estratégia de fortalecer o PSDB no governo em detrimento do PMDB. O PMDB do Senado e da Câmara são focos de resistência à reforma da previdência. Sinalizações do partido do presidente indicando desconforto com a reforma pode deixar outras legendas com um grau menor de comprometimento.

A SAGA NO TSE

 

Mantendo o tema no noticiário, o Tribunal Superior Eleitoral agendou a primeira acareação entre executivos da Odebrecht. Será na sexta-feira (10-03) entre o próprio Marcelo Odebrecht, Cláudio Mello e  Hilberto Mascarenhas. A contradição mais marcante entre os dois primeiros é quanto ao detalhamento do papel de Michel Temer na captação recursos para o PMDB em 2014. Como se sabe o relator Herman Benjamin corre contra o tempo para votar o relatório ainda este ano. As chances disso acontecer, diante dos mecanismo de procrastinação, são reduzidas.

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