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Rossi indicou avião, diz Temer a aliados é o título de matéria no Estadão

Questionado sobre o uso do jatinho do empresário Joesley Batista, em uma viagem entre São Paulo e Comandatuba (BA), em janeiro de 2011, o presidente Michel Temer tem dito a interlocutores que “acha” que foi por intermédio do ex-ministro da Agricultura dos governos petistas Wagner Rossi que conseguiu o avião para fazer o trajeto.

Temer tem alegado que o episódio ocorreu “há muito tempo” e que não é possível se recordar de todas as viagens que realizou. Em um primeiro momento, quando houve a divulgação da notícia do diário de bordo do avião da JBS, no qual constava o deslocamento dele e sua família, Temer disse que “não se lembrava” do episódio.

“Isso tem mais de seis anos”, respondeu o presidente, de acordo com auxiliares, acrescentando que fez muitos voos ao longo dos últimos anos. Por isso, mandou que pesquisassem e respondessem aos questionamentos da imprensa, sem mensurar a repercussão que a informação poderia ter, já que acabou sendo usada para fortalecer a tese de sua proximidade com a família Batista.

Depois, em conversas com sua esposa, Marcela Temer, e com a checagem pela sua assessoria dos voos realizados, foi constatada a viagem. O presidente, então, mandou que a informação fosse retificada. Uma nova nota foi emitida pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) para confirmar o voo, mas os problemas se agravaram com a inclusão de duas novas informações consideradas “absolutamente desnecessárias”, por auxiliares de Temer.

“O presidente não sabia a quem pertencia a aeronave” e “não fez pagamento pelo serviço”. Para interlocutores, a repercussão negativa do “desconhecimento” do presidente e o caráter de “favor” no uso do avião deram ao episódio uma proporção muito maior do que esperavam.

Apesar disso, o Planalto está tentando minimizar o problema. Assessores do presidente alegam que não há irregularidade nisso e que a prática é comum no meio político. Tentam justificar ainda que isso ocorreu nos primeiros dias que ele chegou à Vice-Presidência, quando ainda não estava familiarizado com o modus operandi na sua nova posição.

Rossi. A família de Rossi informou ao  Broadcast, serviço de notícia em tempor real do Grupo Estado, que ele não irá se manifestar, no momento, sobre sua possível intermediação no caso.

Em maio, logo após ser citado na delação de Joesley por ter recebido R$ 100 mil por mês de “mensalinho” durante um ano, Rossi admitiu conhecer o empresário e tê-lo apresentado a Temer.

No entanto, o ex-ministro refutou o fato de ter recibo “mesada” da companhia e afirmou que prestou “colaboração remunerada” à J&F, holding dona da JBS, após deixar o cargo e passar pelo período de quarentena. Durante a viagem de Temer e família, o ex-ministro ainda estava no cargo.

Rossi foi titular da Agricultura, entre abril de 2010, no último ano do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e agosto de 2011, no primeiro ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Ele foi alçado ao posto após presidir a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sempre por indicação de Temer.

Em agosto de 2011, e “logo após deixar o ministério, Joesley me procurou e ofereceu para que eu fosse trabalhar com ele. Nessa oportunidade, agradeci o convite e declinei, pois estava cumprindo quarentena”, disse. “Depois do prazo legal, prestei colaboração remunerada a uma das empresas do Grupo JBS”, completou Rossi em um comunicado enviado em maio.

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