Reforma da Previdência

‘Efeito manada’ pode garantir votos a favor da reforma da Previdência, diz o Estadão

As negociações para tentar aprovar a reforma da Previdênciavão além do discurso oficial de formar um “pacto” entre partidos da base aliada para garantir os 308 votos necessários. De olho nas eleições em 2018, parlamentares pressionam o governo a abrir os cofres e engordar o orçamento do fundo eleitoral, que vai bancar as campanhas no ano que vem e conta até agora com R$ 1,75 bilhão garantidos pela lei.

Como resposta aos gestos nos bastidores, o governo espera que partidos de peso na base aliada obriguem seus parlamentares a votarem pela aprovação da reforma da Previdência – o chamado “fechamento de questão” no jargão político. A aposta é no “efeito manada”, de acordo com fonte do governo. A avaliação é que deputados aliados estão convencidos da necessidade da reforma, mas só topam carimbar seus nomes junto ao “sim” se tiverem segurança da vitória. O fechamento de questão seria fundamental para dar esse “conforto” à votação.

A preocupação dos parlamentares é evitar o desgaste desnecessário que seria colar suas imagens a uma proposta impopular como a reforma da Previdência sem que ela vá adiante. Segundo a fonte do governo, o fechamento de questão que está sendo discutido pelos partidos da base pode ser “um ponto de inflexão” capaz de provocar esse contágio favorável.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o incremento no fundo eleitoral foi discutido no jantar do último domingo com a presença de lideranças partidárias e do presidente Michel Temer. A definição do valor do fundo eleitoral precisa ser feita ainda este ano para viabilizar a votação do Orçamento de 2018 até o fim de dezembro – prazo que o governo almeja também para aprovar a reforma da Previdência na Câmara.

Fechamento de questão. Dois partidos da base – PP e PRB, que juntos têm 68 deputados – convocaram ontem reuniões de suas diretorias executivas. Havia a expectativa de que eles anunciassem o fechamento de questão a favor da reforma, o que acabou não ocorrendo. A pressão da base aliada é para que o PMDB, partido do presidente Michel Temer e que tem a maior bancada na Câmara (60 deputados), tome a dianteira nesse processo. “O PMDB tem que dar o exemplo”, defendeu o relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), sinalizou que a “maioria absoluta” da bancada na Câmara é favorável à proposta e, por isso, encaminhou à executiva nacional do partido o pedido para fechamento de questão. A reunião para bater o martelo deve acontecer até quinta-feira (7).

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, avaliou que “cresceu consideravelmente” a chance de aprovação da reforma.

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