Reforma da Previdência

Presidente ganha alento, mas não garante reforma, diz o Valor

O anúncio de que a delação premiada do empresário Joesley Batista será reavaliada deu um novo alento para o presidente Michel Temer no Congresso, mas é duvidoso que o governo tenha ganhado gás suficiente para aprovar a reforma da Previdência.

Segundo fontes ligadas ao Planalto ouvidas pelo Valor, é no mínimo precipitado e exagerado o otimismo do mercado nesse sentido. Por vários motivos. Dois se destacam.

O primeiro é a segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Ao anunciar a revisão da delação de Joesley, o procurador-geral da República deixou claro que vai em frente com uma nova denúncia contra o presidente, provavelmente por formação de quadrilha.

Neste caso, a base aliada vai precisar colocar 342 deputados (o que é muito) no plenário da Câmara, para que a licença para processar o presidente seja votada. Enquanto não consegui-los, Temer estará sujeito a desgaste e pressão política.

Com os 342 presentes em plenário, Temer vai precisar de 172 (o que é pouco) para encerrar definitivamente a questão. Mas isso não significa um Temer forte politicamente na saída do processo.

O anúncio de que Joesley gravara o presidente da República, em 17 de maio, jogou por terra esforço do governo para votar e aprovar a reforma da Previdência. Estava próximo. O mesmo não pode ser dito agora, no momento em que se anuncia a revisão da delação.

O segundo motivo é a eleição de 2018. Hoje mais do que em maio, o que rege a política é a sucessão presidencial. A recuperação econômica, até agora, não serviu para jogar água no moinho de Michel Temer e o governo continua tão impopular quanto era três meses atrás.

Temer, por enquanto, está sem cacife para sentar à mesa da sucessão presidencial, aí sim, com gás suficiente para terminar o que resta de mandato negociando uma reforma impopular como a previdenciária, ainda assim sem a segurança de que poderá aprová-la.

O Congresso já está em campanha e tentando farejar para onde o vento sopra. O terreno não é fértil não só para a reforma da Previdência, apesar de ser majoritário que ela precisa ser feita. A campanha pode imobilizar o governo na sua proposta de privatizações, como bem mostra a reação dos governadores do Nordeste à venda da Chesf.

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