Reforma da Previdência

Maia rechaça mudanças no texto, diz o Valor

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem em entrevista à rádio “CBN” que quer votar a reforma da Previdência até o início de setembro, sem mudanças em relação ao texto que foi votado na comissão especial, em maio.

“A questão fiscal do Brasil e o déficit da Previdência chegaram num ponto em que se a gente tiver um pouco de bom senso, maturidade e responsabilidade a gente tem que votar, no mínimo, o texto que foi aprovado na comissão. Porque não adianta que a gente faça uma reforma menor do que isso, porque não vai resolver o problema dos brasileiros”, disse.

Maia afirmou que espera que a base aliada ao governo esteja recomposta ainda este mês para alcançar o quórum de 308 votos, mínimo necessário para aprovar uma proposta de emenda à Constituição. “Na minha agenda, a Câmara precisa estar votando essa matéria em setembro, a gente precisa estar pronto pra votar a partir do início de setembro. E eu espero que a gente esteja com a base organizada já no final de agosto”, declarou.

Maia disse que hoje à noite voltará a se reunir com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e com o relator da reforma política da Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), para tratar da reforma política. A comissão especial criada para emitir parecer sobre a proposta que altera o sistema eleitoral deve se reunir amanhã. Maia espera que a comissão aprove o relatório do relator esta semana e que a partir da semana que vem o parecer esteja apto a ser votado em plenário.

Em outra entrevista, à rádio “Bandeirantes”, o presidente da Câmara afirmou que está “muito longe” de se lançar candidato à Presidência da República. Maia reconheceu ter “expectativa de ascensão” e que se posiciona para “eleições futuras”, mas disse ainda não ter votos majoritários para concorrer à governador do Rio ou presidente.

O deputado analisou ainda o cenário das eleições de 2018. Para ele, o pleito romperá um quadro que vem se repetindo desde 1994. “Dezoito [2018] será uma eleição diferente das anteriores. A polarização tradicional que existiu desde 1994, PT e PSDB, acabou”, disse. “O PSDB pode se reinventar. Tem quadros de qualidade. Alckmin [Geraldo Alckmin, governador de São Paulo] é um grande quadro. Mas acho que não haverá espaço para aquele que não construir o no-vo dentro da própria política.”

Maia explicou seu esforço para ter uma postura neutra no processo de votação da denúncia por corrupção passiva ao presidente Michel Temer (PMDB). “Muitas pessoas questionaram porque eu não avançava [contra Temer]. Eu tenho uma questão pessoal: por ser o primeiro na linha sucessória, não me cabe fazer nenhum movimento. [Além disso], isso [afastamento de Temer] ia gerar um país pior. Tenho convicção de que fiz o certo para o Brasil.”

Questionado sobre o parlamentarismo, modelo que passou a ser costurado nos bastidores por Temer e pelo senador José Serra (PSDB), Maia afirmou ser esse um debate do qual a sociedade precisa participar. “O sistema presidencialista brasileiro se esgotou”, disse o deputado. (Com agências noticiosas)

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