Reforma da Previdência

Para Maia, Temer perdeu apoio e coesão na base, diz o Valor

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem que o presidente Michel Temer perdeu apoio e não tem votos suficientes, neste momento, para aprovar a reforma da Previdência. Mesmo depois de o pemedebista ter barrado na Câmara a denúncia em que a Procuradoria-Geral da República o acusa do crime de corrupção, Maia disse que Temer tem de reorganizar a base aliada, trazer de volta o PSDB unido e atrair pelo menos 330 deputados se quiser aprovar reformas.

Na votação de quarta-feira, o presidente conseguiu 263 votos favoráveis dos deputados – 45 a menos do que o número mínimo para aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC), como é o caso da reforma da Previdência. Os votos contrários superaram a expectativa do governo e chegaram a 227.

O placar, desfavorável à aprovação da reforma da Previdência, foi explorado ontem por Maia, que horas depois da votação na Câmara reuniu-se em São Paulo com investidores, em evento promovido pelo Goldman Sachs. O presidente da Câmara disse que a base de Temer é menor do que antes de 17 de maio, quando foi divulgada a gravação da conversa entre o pemedebista e o empresário Joesley Batista, da JBS. Apesar da vitória na Câmara, a perspectiva para o futuro não é coesão na base de apoio.

“Se olhar três semanas atrás, foi um bom resultado para o governo, mas olhando para frente o governo precisa recompor para ter uma base de 330, 340 deputados”, afirmou Maia a jornalistas, antes de dar uma palestra a investidores, em evento fechado à imprensa. “Para se aprovar reformas, principalmente a da Previdência, o governo vai precisar reorganizar a base. Esse ponto é muito importante: que se reorganize e se traga de forma unida o PSDB de volta ao governo”, repetiu.

O presidente da Câmara disse que os deputados que votaram contra Temer não necessariamente votarão contra as reformas, mas ressaltou que o pemedebista precisa recompor a base de apoio se quiser aprovar não só a reforma da Previdência, mas também a política e a tributária. Segundo Maia, Temer deve agir rapidamente para se recompor com o PSDB, que foi um dos mais infiéis na votação de quarta-feira, apesar de o partido ter quatro ministérios. Dos 47 parlamentares tucanos, 22 votaram pelo arquivamento da denúncia e 21 pela continuidade das investigações.

“Daqui para frente temos que olhar o governo do presidente até o final de 2018 e olhar a agenda da Câmara. O PSDB tem papel decisivo nisso”, disse Maia. “Sou defensor da reforma da Previdência, da tributária, da reorganização do Estado brasileiro, da simplificação do sistema tributário. O PSDB é a favor dessa agenda e é importante deixar isso claro depois de uma votação difícil, em que o PSDB se dividiu”.

Maia disse ter recebido uma ligação de Temer com agradecimentos na quarta-feira, depois da votação, e minimizou os votos contrários de seu partido a Temer. “Proporcionalmente o DEM deu bom número de votos para manutenção do presidente”. Dos 30 votantes, 23 ficaram a favor (76,7%), 6 contra e houve uma abstenção.

No evento com investidores, Maia disse que o resultado da votação “não atrapalha a economia no curto prazo” e reiterou que a agenda da Câmara é a agenda do mercado.

“O que vai depender para ajudar ou não a economia é a reconstrução da base, trazer de volta o PSDB completo para a base para que a gente possa sinalizar que a gente tem maioria para aprovar aquelas reformas que estão na pauta”, disse a jornalistas depois do evento. “A agenda da Câmara é a do mercado sim, não é a agenda das corporações. Temos 90% da sociedade que não vive do Estado. Vive dos investimentos privados”, afirmou.

Ao tentar justificar a agenda da Câmara como sendo a do mercado, Maia disse que “os investimentos privados é que vão recuperar o emprego e a renda no Brasil”. O presidente da Casa disse ainda que pretende discutir a reforma política nas próximas duas semanas. “Em paralelo a isso vamos ver como faremos a reforma da Previdência”.

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