Reforma da Previdência

Setores buscam mudanças em nova reforma da Previdência, diz a Folha

Categorias que brigavam por mudanças na proposta da reforma da Previdência apostam na crise política que se abateu sobre o Planalto para conseguir convencer o presidente Michel Temer a promover as alterações que desejam.

Policiais federais, agentes penitenciários e servidores públicos voltaram a pressionar parlamentares e o governo a ceder em regras específicas.

O presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Luís Antônio Boudens, diz que o governo “mais do que nunca” terá que ceder em alguns pontos.

Em um cenário ideal, ele quer que os policiais federais que já foram admitidos não sejam afetados por novas regras. Pretende, ainda, conseguir uma diferenciação de idade (52 anos) para as mulheres policiais. Da forma como está, a idade é de 55 anos para todos os policiais —já abaixo dos 65 anos da proposta original.

Os agentes penitenciários, que brigam por regras especiais iguais às dos policiais federais, já retomaram as negociações no governo e no Congresso, segundo o presidente da Febrasp (Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários), Leandro Allan.

Ele também avalia que o governo está em uma situação mais difícil para negociar a aprovação do texto. “O governo tem dificuldade em aprovar a PEC considerando o momento político pelo qual está passando.”

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) afirmou que o PMDB apresentará no plenário da Câmara uma proposta de alteração para atender os agentes penitenciários.

Os representantes dos servidores públicos teriam uma reunião na semana passada com o relator da reforma e integrantes do governo para continuar as tratativas, segundo o vice-presidente do Sindlegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal), Paulo Cezar Alves.

O encontro, contudo, foi desmarcado por causa da crise política, segundo ele, e será remarcado. O sindicato quer alterações na regra de transição para servidores, além de mudanças no cálculo das pensões.

O governo retomou a contagem dos votos, interrompida quando o placar era de 255 deputados a favor e 100 indecisos.

A nova previsão do governo é votar pelo menos o primeiro turno antes do recesso parlamentar, previsto para a segunda quinzena de julho.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou que a reforma da Previdência “tem que ser aprovada nos termos em que está” e minimizou os efeitos de uma postergação na tramitação do texto.

“Se não for em junho, for em julho ou em agosto, do ponto de vista meramente fiscal, está bem. Agora, do ponto de vista de formação de expectativas, quanto mais cedo melhor.”

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