Reforma da Previdência

Nem tudo é motivo de comemoração é o título de reportagem da Veja sobre Reforma da Previdência

FORAM OITO HORAS de discussão, gritos e momentos de tensão — até bomba de efeito moral teve. Por fim, por 23 votos a 14, a comissão especial da Câmara aprovou o parecer sobre o projeto de reforma da Previdência. O resultado foi comemorado comjubilo e foguetório pelo governo, mas não mudou um fato inconteste: continua sendo um retumbante fracasso de adesão popular. Uma pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada mostrou que 71% dos brasileiros rejeitam as mudanças propostas pelo governo.

A reforma da Previdência é uma medida tão amarga quanto necessária — e disso sabem todos os brasileiros capazes de fazer contas de somar e dividir. Ocorre que o governo fez pouco ou quase nada para torná-la menos difícil de engolir. Até agora, a pífia campanha de comunicação foi fragorosamente derrotada por iniciativas mais bem-su-cedidas lançadas pelo lado contrário — entre elas virais “que provam” que não existe rombo algum na Previdência (na verdade, ela seria “superavitária”) e um vídeo, estrelado pelo ator Wagner Moura, que diz que o objetivo do governo é “acabar com o direito à aposentadoria dos brasileiros”. O fato de teses estapafúrdias levarem a melhor dá a medida da qualidade da defesa que o governo tem feito do seu projeto. Em sua própria avaliação, ele não conseguiu nem sequer demover os brasileiros da ideia de que a reforma vai implicar a perda de direitos adquiridos. Segundo pesquisas do Palácio do Planalto, 30% dos entrevistados, especialmente das classes C, D e E, ainda acreditam que as alterações farão com que eles deixem de receber sua aposentadoria.

A defesa da reforma, no entanto, pode começar a ganhar mais corpo a partir da próxima semana. Segmentos do setor privado, por iniciativa do cientista político Luiz Felipe d’Avila, do Centro de Liderança Pública, criaram o grupo Apoie a Reforma, que pretende fazer o que o governo não fez até hoje: apresentar o projeto de forma didática e deixar clara a sua importância para o país. As primeiras propagandas do grupo trazem mensagens diretas como: “Você prefere o caos ou a reforma?”. O governo, em paralelo, intensificará peças que retratam experiências passadas, inicialmente questionadas pela população, que depois se mostraram corretas, como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e o Plano Real. O funil da reforma é o Congresso Nacional, e é ali, entre os parlamentares, que o governo acertadamente concentra sua energia. Mas buscar apoio popular — ou pelo menos reduzir a alta rejeição — não faria nenhum mal.

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