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Alckmin age para evitar prejuízo em 2018 com racha interno do PSDB, diz a Folha

Favorito na sigla para disputar o Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançou operações nos bastidores do PSDB para evitar que uma disputa interna coloque em risco seu próprio palanque em 2018.

Ele vinha evitando se posicionar entre os candidatos que concorrerão ao comando do partido em dezembro.

Porém, a canetada de Aécio Neves (MG) que tirou o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB alterou o cenário.

Alckmin acompanhava os embates entre os candidatos à presidência do PSDB com a expectativa de se manter neutro. Já se apresentaram para a disputa Tasso e o governador Marconi Perillo (GO). A convenção nacional, que escolhe o novo presidente, será em 9/12.

Alckmin queria evitar que a escolha de um nome jogue um dos campos da disputa contra seu projeto presidencial em 2018.

Apesar da tentativa de ser discreto, sua preferência por Tasso ficou clara nos bastidores do partido. Alckmin enviou seu principal emissário, o deputado tucano Silvio Torres (SP), ao gabinete do senador cearense assim que ele lançou sua candidatura ao comando do PSDB, no fim da tarde de terça-feira (7).

Lá, o comitê de campanha de Tasso começou a traçar o mapa eleitoral da disputa, na esperança de que ficasse clara desde o início uma vantagem do senador cearense nos Estados com maior peso na convenção nacional tucana.

Os aliados de Alckmin queriam usar esse provável favoritismo para convencer Perillo a sair da disputa ou, ao menos, aceitar um “revezamento”, em que Tasso comandaria o PSDB no primeiro ano –durante a campanha eleitoral– e o governador goiano ficasse com o ano seguinte.

Foi o próprio Alckmin quem teve essa ideia, em uma reunião com correligionários no Palácio dos Bandeirantes há pouco mais de dez dias.

A hipótese de revezamento já foi invalidada por Tasso, que diz não concordar. Perillo dá sinais de que também não aceita ao repetir que aguarda desde a gestão de Sérgio Guerra (2007-2013) para disputar o cargo.

TERCEIRA VIA

De acordo com aliados de Alckmin, a crise gerada pela destituição de Tasso reduziu sua resistência em assumir a presidência da sigla no ano de sua provável candidatura ao Planalto.

A conversa que o governador teve com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na noite de quinta-feira –horas depois do afastamento de Tasso– foi um dos fatores determinantes dessa mudança de avaliação. Foi depois de receber uma sinalização positiva de Alckmin que o ex-presidente defendeu, em nota, que o governador assuma uma “posição central no partido”.

Publicamente, o governador nega a possibilidade de comandar a sigla. Na sexta-feira (10), Alckmin rechaçou a hipótese, em visita ao Rio.

Alckmin, segundo tucanos de seu grupo, vai observar a disputa entre Tasso e Perillo pelos próximos 15 dias antes de tomar uma decisão.

Ele vai trabalhar para a construção de um acordo entre os dois, mas já indica estar disposto a se apresentar como alternativa para evitar que o racha se aprofunde. O clima de divergência do partido foi levado às convenções estaduais.

Na sexta, Tasso acusou Aécio de apoiar o “fisiologismo” do governo. Em resposta, Aécio disse durante a convenção mineira que não aceitaria essa “pecha”. “Não posso aceitar agora essa pecha que alguns querem colocar de que a presença do PSDB [no governo] é fisiológica. Ela não é”, disse o senador sem fazer menção direta ao autor das críticas.

“Quando eu próprio aventei o nome do senador Tasso Jereissati para ao Ministério do Desenvolvimento Econômico isso não era visto como algo fisiológico”, rebateu.

Aécio disse que na montagem do governo Temer ele defendia que o PSDB apoiasse sem participar, mas que as indicações do partido para os ministérios se deu por decisão “majoritária” da sigla.

Os tucanos ocupam quatro pastas na Esplanada: Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy), Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Cidades (Bruno Araújo) e Direitos Humanos (Luislinda Valois).

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