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Aécio e Tasso tentam mostrar consenso, após crise interna, diz O Globo

Ao final de uma semana de disputa que abriu um racha há muito não visto no partido, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), aumentou ainda mais o tom de desafio com a ala governista da sigla ontem pela manhã. Ao longo do dia, no entanto, os tucanos se esforçaram para acalmar os ânimos e pacificar o clima. Os principais nomes do partido se reuniram em um almoço, onde Tasso esteve lado a lado com o senador Aécio Neves (MG).

A ordem agora, segundo os presentes, é evitar debater o assunto publicamente, tocar as convenções e preparar a escolha do candidato ao Planalto ano que vem. Amanhã, Tasso reunirá os 27 presidentes de diretórios estaduais para definir o calendário de convenções e discussão de mudanças programáticas para “reconectar o partido com as ruas”.

Ninguém me pediu nada e nem eu entreguei nada — disse Tasso na saída do encontro.

Desde a veiculação do programa de TV com críticas contundentes ao “presidencialismo de cooptação”, a ala governista cobrava a retirada do senador do comando da legenda. Logo pela manhã, Tasso desafiou Aécio, presidente licenciado, a atender ao apelo dos governistas para retirá-lo do cargo. Depois do almoço ao lado de Aécio, no entanto, tentou se criar um clima de pacificação.

De manhã, Tasso havia partido para o ataque. Ao ser questionado sobre a decisão do grupo de governistas tucanos de lhe enviar uma carta pedindo que entregue a interinidade para outra pessoa, reagiu duramente:

O que é a ala majoritária? Eles que vão ao Aécio e digam: “Aécio, tira o homem, que ele não nos representa”. E provem que são majoritários. Se não tivesse um presidente efetivo, tivesse que ir para a Executiva, aí seria mais complicado. No nosso caso, é simplérrimo.

Deputados e os governadores do Pará, Simão Jatene, e de Goiás, Marconi Perillo, também participaram do almoço.

Foi sensato. Estava muito ruim. O assunto de afastar Tasso está morto. O partido vai olhar para adiante, fazer seu planejamento, cuidar do seu projeto e preparar para a escolha do nosso candidato a presidente — disse o senador Eduardo Amorim (PSDB-SE).

Coube a Tasso, durante o almoço, tocar no assunto do programa e na repercussão que gerou. Mais uma vez, repetiu que a intenção não foi fazer crítica direta ao presidente Michel Temer ou aos ministros, mas sim falar das dificuldades para a governabilidade no sistema presidencialista. O secretário geral do PSDB, deputado Sílvio Torres (SP) , disse que não há força interna capaz de afastar Tasso:

O pessoal todo no almoço estava querendo acalmar o ambiente. O programa foi um rato que pariu uma montanha, nada tão grave que justificasse a retirada de um presidente. Agora é deslocar a discussão sobre ficar ou não no governo para segundo plano.

Tasso já conquistou o apoio de dois pré-candidatos do PSDB a presidente: o prefeito de São Paulo, João Doria, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

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